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sábado, 23 de junho de 2018 17:52:36
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Clínica para dependentes é denunciada por tortura e espancamentos


Quinta-feira, 28 de setembro de 2017 16:59:29


Uma rotina de pavor e violência. É isso que três homens relataram ao MP e à polícia em Vilhena, após serem resgatados ontem (quarta-feira, 27), dentro de uma clínica para tratamento de dependentes químicos na cidade. O trio concedeu entrevista exclusiva na manhã desta quinta-feira (28), antes de confirmarem as denúncias em depoimento a um promotor. Todos mostraram lesões que seriam decorrentes dos espancamentos sofridos na instituição, comandada por lideranças religiosas.

Os autores das acusações são: J. H., 25, internado há 15 dias; J.A.V., 23, 10 dias de internação; e M. S. S., 33, um mês na clínica. O primeiro é sobrinho de uma vereadora vilhenense e não demonstrou medo de ter sua imagem divulgada na reportagem: “Foi a gente que apanhou, então qual é o problema mostrar a cara?” Foi aconselhado a falar mantendo o anonimato.

De acordo com os homens, eles apanhavam quase todos dias na clínica, que funciona no centro de Vilhena. Os violentos castigos eram aplicados num local da entidade chamado de “quarto da orientação”. Diz um dos que eram submetidos à pancadaria: “Tem mais de dez monitores lá, e entravam em três para nos espancar. Quando cansavam, entravam outros três”.

Conforme o sobrinho da parlamentar, ele e os colegas foram capturados ontem à noite, após uma tentativa de fuga. Conforme revelou, a intenção era pular o muro e chegar até a DPC para registrar queixa contra o estabelecimento que os mantinha cativos.

O interno explicou que todos os que eram mantidos no local estavam proibidos de denunciar os maus tratos, sob pena de sofrerem agressões ainda mais violentas. Ontem, porém, na ligação semanal para a mãe, o rapaz contou tudo. Ele acha que o telefone está grampeado, porque logo na sequência da conversa, foi levado para o “quartinho” e a pancadaria começou.

Quando os outros dois tentaram socorrer o interno agredido, passaram a apanhar também e, com o “griteiro”, um vizinho se assustou e acionou a polícia. Os três homens foram resgatados e levados para a DPC, onde relataram a violência da qual eram vítimas.

Segundo relatam os três, alguns monitores usavam um revólver calibre 22 e, ontem, uma das vítimas foi agredida a coronhadas. Eles citaram dois nomes de pessoas responsáveis pela tortura: Wagner e “Mudinho”, sendo que o último tem esse apelido porque não fala. Mas, mesmo com a deficiência, bate violentamente.

As fotos que ilustram esta reportagem são dos próprios denunciantes exibindo os hematomas que teriam sido provocados pelas sessões de espancamento na clínica.

O site tentou contato com a entidade, mas ainda não conseguiu. A versão da instituição será dada tão logo seus diretores sejam localizados.

 

Fonte: Folha do Sul On Line

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