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Tratamento da malária vivax ainda desafia pesquisadores em Rondônia


Segunda-feira, 15 de junho de 2015 09:12:37


Projeto do médico Dhélio Pereira, apresentado no 1º Seminário de Avaliação Parcial do Programa de Pesquisa para o Sistema Único de Saúde (PP SUS), promovido pela Fundação de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas e Tecnológicas e à Pesquisa do Estado de Rondônia (Fapero), visa a elaboração e validação do fluxograma de classificação de risco da malária Plasmodium vivax grave.

Equipes de pesquisa clínica do Centro de Pesquisa em Medicina Tropical (Cepem) da Fundação Oswaldo Cruz-RO e do Centro de Pesquisas René Rachou (Fiocruz-MG) estudaram 176 pacientes de P.vivax não grave e agora têm o desafio de incluir 88 com malária grave.

“É uma vitória para nós todos a apresentação dos primeiros resultados dos projetos da chamada de 2013″, disse o diretor científico da Fapero, Andreimar Soares.

O risco de agravamento da malária P. vivax em Rondônia mobiliza o Grupo de Estudos em Parasitologia Tropical a aprofundar análises que possibilitem a separação de internamentos hospitalares que atendam à Organização Mundial de Saúde (OMS) e às condições amazônicas. No Brasil, onde ocorre cerca da metade dos casos de malária das Américas, o P. vivax produz quase 80% das infecções maláricas no país; as demais espécies prevalentes são a Plasmodium falciparum e Plasmodium malariae.

Dos R$ 49,5 mil solicitados para o projeto da P. vivax, o médico Dhélio Pereira obteve R$ 24,7 mil. Ele explicou que o atraso inicial permitiu alterações epidemiológicas e sobreposição de projetos. “Isso resultou na demora de obtenção de amostras”, disse. Mas apontou conquistas: equipe bem treinada e com bom ambiente de trabalho, classificação de fatores de risco, manejo de pacientes febris agudos (malária, dengue, zia), expectativa de melhor custo benefício e eficácia de ações dos serviços em Rondônia.

Segundo dados da Agência Estadual de Vigilância em Saúde (Agevisa), no biênio 2013-2014 garimpos e enchentes influenciaram o aumento dos casos de malária falcíparum, causadora de 80% das infecções e 90% das mortes pela enfermidade. Mesmo assim, a Incidência Parasitária Anual (IPA) 2010-2014 revelou queda de casos desse tipo da doença: 27,5 em 2010, 18,9 em 2011, 15,2 em 2012, 9 em 2013 e 5,9 em 2014. IPA expressa o número de exames positivos por mil habitantes, em determinado lugar no período de um ano.

Em 1987, Rondônia respondia por 50% dos casos ocorridos no país. Falcíparum faz parte dos objetivos do milênio. A Organização Mundial de Saúde pretende erradicá-la dentro de 30 anos. Na Amazônia, onde se concentram 99,6% dos casos de malária, foram identificados mais de 177 mil em 2013, enquanto em 2012 eles totalizavam 241 mil. Sessenta pessoas morreram em 2012 e 36 em 2013.

FÁRMACOS

É plenamente possível a aplicação de modernas tecnologias para a descoberta de fármacos contra patógenos endêmicos em Rondônia, opinou o médico Fernando Berton Zanchi, do Centro de Estudos de Biomoléculas Aplicadas à Saúde (Cebio), da Universidade Federal de Rondônia.

Zanchi lembrou a diminuição dos casos de malária Falcíparum no mundo e a necessidade de clonar e purificar as proteínas alvo desse tipo da doença, analisando-se a atividade perante os ligantes naturais. Na ampliação da luta de alvos proteicos, ele disse que há mais de 20 enzimas da malária a ser utilizados pela comunidade científica, na descoberta de novos compostos. “Eles podem ser extrapolados para outros patógenos, entre os quais, leishmaniose e tuberculose.

Zanchi coordenou o projeto Prospecção e Avaliação in sílico aplicados à identificação de potenciais fármacos contra alvos enzimáticos de P. Falcíparum. Nas pesquisas, utilizou as mesmas ferramentas da bioinformática da indústria farmacêutica mundial, observando que a técnica de análise de interação in vitro, que se pretende aplicar (TSA stabily assays) é relativamente barata aos atuais métodos de calorimetria.

Segundo Zanchi, a equipe conseguiu identificar o modelo farmacofórico baseado no sítio ativo da enzima, aliando técnicas de simulação por dinâmica molecular. “Os 20% restantes a completar representam 90% do nosso trabalho”, afirmou.

 

 

 


Fonte: Decom

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