Na tarde do dia 30 de novembro deste ano, uma senhora moradora de Guajará-Mirim localizou, no bairro São José, um corpo já em estado avançado de decomposição. A moradora informou à Polícia Militar que, ao sair de casa, em busca de um porco que estava perdido num matagal próximo a sua casa, na avenida Princesa Isabel, deparou-se com a cena, em um matagal que fica logo atrás da casa onde ela mora, na avenida Princesa Isabel. O corpo estava dentro de uma vala, coberto pela água do igarapé.
A Polícia Militar foi informada e dirigiu-se ao local, onde constatou a veracidade dos fatos. Chamada, a Polícia Civil compareceu ao local juntamente com a Polícia Técnico-Científica – Politec, e o rabecão. Os peritos verificaram que o corpo apresentava algumas perfurações nas costas, do lado esquerdo, provavelmente produzidos por uma faca, e a cabeça estava separada do corpo. Devido as condições, não foi possível a identificação do corpo. Então, as autoridades fizeram a remoção e o corpo foi removido para Porto-Velho, considerando que não há médico legista em Guajará-Mirim e Nova Mamoré. A ausência de profissionais legistas nesses municípios configura um enorme desrespeito à população de ambas as cidades, visto que o transtorno é muito grande, todas as vezes em que ocorre alguma morte violenta na região. Há anos, a população da região reivindica a contratação de médicos legistas para Guajará-Mirim e Nova Mamoré, cidades localizadas a quase 400 km da capital do estado. A omissão e negligência das autoridades competentes se arrastam por longos anos.
Certamente é algo muito doloroso para as famílias, sempre que esses fatos acontecem, porque, além da dor da perda de seus ententes, não há sequer um tratamento digno às pessoas falecidas. Já ocorreram inúmeras situações em que pessoas morrem e os trabalhos de competência dos médicos legistas precisam ser feitos na capital do estado. Quando estes fatos acontecem, o que é constatado com frequência, os corpos são levados a Porto-Velho e, quando são transportados de volta para Guajará-Mirim ou Nova Mamoré, não há mais condições para que haja um velório digno, dado o estado de decomposição. Assim, o trajeto segue direto para o cemitério, deixando profundamente abaladas as famílias.
Estes fatos acontecem por pura falta de representatividade da classe política, mas o assunto é tema de todas as campanhas realizadas nos últimos anos. Passadas as eleições, nenhuma promessa é cumprida e Nova Mamoré e Guajará-Mirim seguem sem nenhum médico legista, ficando para os familiares de pessoas mortas apenas a dor de perder seus entes e a evidente falta de humanidade, de respeito e de compromisso com uma população que reclama, há anos, dos mesmos problemas. Certamente, nas campanhas eleitorais de 2026, mais uma vez os candidatos a deputados, governadores, senadores e outros cargos farão as mesmas promessas, porque, para muitos políticos, interessa apenas ganhar os votos dos eleitores da região. A conduta correta das autoridades seria construir um IML para atender à região de Guajará-Mirim e Nova Mamoré, mas a simples contratação de médicos legistas já serviria para amenizar a dor de muitas famílias.