Mototaxistas, motociclistas e trabalhadores de aplicativos que utilizam motocicletas para garantir seu sustento estão clamando por ações urgentes das autoridades diante da prática cada vez mais frequente e perigosa do uso de linhas com cerol nas ruas e avenidas de Guajará-Mirim.
A denúncia foi feita à redação do site Guajará Notícias por diversos condutores que relatam o medo constante de se deparar com linhas invisíveis e cortantes estendidas no ar enquanto realizam suas atividades diárias. O cerol mistura de cola com vidro moído é usado para cortar outras pipas durante as brincadeiras, mas se transforma em um verdadeiro instrumento de risco e, em casos extremos, de morte.
Segundo os motociclistas, a situação tem se agravado nos últimos dias, especialmente nos bairros periféricos e nas avenidas mais movimentadas da cidade. De acordo com relatos, há vítimas que já foram socorridas ao Pronto Socorro dos hospitais da Pérola do Mamoré com ferimentos graves no pescoço, rosto e braços, causados por essas linhas cortantes.
"Se as autoridades não tomarem providências agora, seremos obrigados a organizar um buzinaço pelas ruas, com faixas e cartazes, exigindo fiscalização e punição para quem continuar colocando vidas em risco com essa prática", declarou um mototaxista da cidade.
Um trabalhador de aplicativo, que pediu anonimato por receio de represálias, lembrou tragédias recentes ocorridas no estado vizinho do Acre. Em Cruzeiro do Sul, no último sábado (19), uma mulher morreu após ser parcialmente degolada por uma linha com cerol. Dias antes, em Epitaciolândia (16), um homem teve o pescoço cortado ao passar por uma rua onde garotos empinavam papagaios com linha preparada com vidro.
Essas ocorrências acendem o alerta para que Guajará-Mirim tome medidas preventivas, antes que casos similares se repitam no município. Entre as ações sugeridas estão campanhas educativas nas escolas e bairros, fiscalização mais rígida por parte da Polícia Militar e a Prefeitura Municipal, além de penalidades severas para quem for flagrado utilizando ou vendendo cerol.
"A gente quer evitar o pior. Queremos trabalhar em segurança, voltar para casa em paz. O cerol não é uma brincadeira. É uma arma", afirmou um dos condutores que atua diariamente pelas ruas da cidade.
A população agora aguarda uma resposta firme do Poder Executivo municipal, da Câmara de Vereadores e das autoridades policiais. Enquanto isso, o medo continua sendo o companheiro diário de quem depende da motocicleta para sustentar sua família na Pérola do Mamoré.