Inaugurado em 8 de agosto de 2023, o Porto Oficial IP4, em Guajará-Mirim, permanece até hoje sem cumprir o papel para o qual foi construído. A obra, financiada pelo governo federal, contou com a presença de ministros, autoridades estaduais e municipais, além de representantes da Bolívia, marcando a expectativa de um novo ciclo de desenvolvimento para a região de fronteira. No entanto, quase dois anos depois, a estrutura continua fechada para operações portuárias e foi aberta, apenas agora em setembro de 2025, para visitação pública.
De acordo com a chefe administrativa do porto, Raissa Zaramella, a partir desta quinta-feira (4), o espaço poderá ser visitado por moradores e turistas, das 8h às 18h. Entretanto, o acesso está sujeito a restrições: é proibida a entrada de estudantes fardados após o horário de aula, bebidas alcoólicas e objetos ilícitos não são permitidos, fotografias só podem ser feitas no estacionamento e crianças desacompanhadas não terão acesso, por questões de segurança ligadas à área de rampa. O local conta, no momento, com apenas um agente de portaria.
A importância do Porto IP4
A instalação de um porto oficial em Guajará-Mirim tem caráter estratégico para Rondônia e para o Brasil. Estruturas como o IP4 são fundamentais para o escoamento de produção agrícola, importação e exportação de mercadorias e fortalecimento da integração comercial com a Bolívia, país vizinho diretamente conectado pela hidrovia do rio Mamoré. Na prática, sua operacionalização pode reduzir custos logísticos, dinamizar o comércio regional e gerar emprego e renda.
Além disso, o porto é visto como alternativa para desafogar rodovias sobrecarregadas, como a BR-364, e oferecer maior competitividade aos produtos rondonienses, especialmente da agroindústria.
Dois anos de incertezas
Apesar do potencial, a ausência de funcionamento levanta questionamentos. A população cobra respostas concretas sobre o motivo da demora e, principalmente, sobre prazos para início efetivo das atividades portuárias. Segundo Raissa Zaramella, ainda não há data definida para a entrada em operação, o que mantém a obra na condição de “monumento inaugurado, mas sem função prática”.
Crítica construtiva
A abertura para visitação é positiva como forma de aproximar a comunidade do empreendimento e de dar alguma utilidade ao espaço. No entanto, é urgente que autoridades federais, estaduais e municipais, em conjunto com órgãos reguladores, estabeleçam um calendário claro para início da operação. Sem isso, o Porto Oficial IP4 corre o risco de se transformar em mais um exemplo de investimento público paralisado, que gera expectativa, mas não entrega resultados concretos à sociedade.
A população de Guajará-Mirim e região espera que o porto deixe de ser apenas um cartão-postal e passe, de fato, a cumprir seu papel estratégico no desenvolvimento econômico da fronteira amazônica.