Em um importante passo para o fortalecimento das ações de sustentabilidade e valorização das comunidades tradicionais, a Associação Primavera, localizada na Reserva Extrativista do Rio Pacaás Novos, em Guajará-Mirim, celebrou na última sexta-feira, 24 de outubro de 2025, um contrato histórico com a Empresa Arca, especializada em projetos de crédito de carbono de conservação florestal. A solenidade ocorreu na Comunidade Boa Vista, na colocação Sete Irmãos, e reuniu cerca de 70 extrativistas da região.
O projeto tem como objetivo principal valorizar a floresta em pé, assegurando a continuidade do modo de vida tradicional das famílias extrativistas e, ao mesmo tempo, gerar renda pela preservação ambiental. A iniciativa busca conciliar o desenvolvimento econômico com a manutenção do equilíbrio ecológico, promovendo benefícios diretos às comunidades e contribuindo para o enfrentamento das mudanças climáticas globais.
Segundo o presidente da Associação Primavera, Ronaldo Lins, o contrato possui vigência de 40 anos, e marca um momento histórico para Guajará-Mirim, que se torna o primeiro município do estado de Rondônia a implementar um projeto dessa natureza dentro de uma unidade de conservação. “Estamos dando um passo pioneiro. É uma conquista que garante sustentabilidade, respeito à floresta e dignidade aos moradores que há gerações vivem e cuidam desse território. O mais importante é que o projeto não altera o modo de vida dos extrativistas, mas fortalece o que eles sempre fizeram: proteger a natureza”, afirmou Lins.
De acordo com o presidente, o projeto deverá beneficiar entre 95 e 120 famílias, com previsão inicial de repasse de um salário mínimo mensal por família, até que os créditos sejam oficialmente certificados no mercado internacional. O valor é reconhecido como uma compensação pelo serviço ambiental prestado pelas comunidades, que mantêm a floresta conservada e ajudam a reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
Os representantes da Empresa Arca, Alessandro Molon (diretor) e Samuel Vieira Cruz (antropólogo), destacaram que o projeto na Reserva Extrativista do Rio Pacaás Novos está entre os primeiros do país a remunerar diretamente as populações tradicionais pela preservação de suas áreas. “A floresta permanece viva, e quem vive nela passa a ser valorizado. O crédito de carbono é um instrumento moderno e seguro de compensação ambiental, que une responsabilidade climática, social e econômica”, explicou Molon.
O crédito de carbono é um mecanismo reconhecido internacionalmente que visa recompensar financeiramente quem contribui para a redução ou compensação das emissões de dióxido de carbono (CO₂), principal gás causador do aquecimento global. Cada crédito corresponde a uma tonelada de CO₂ que deixa de ser emitida na atmosfera, representando um ativo ambiental de grande valor para políticas de sustentabilidade.
Com a assinatura do contrato, a Associação Primavera reafirma seu compromisso com a preservação ambiental, o desenvolvimento sustentável e a valorização das comunidades extrativistas. A iniciativa consolida Guajará-Mirim como referência estadual em projetos de economia verde e reforça a importância das reservas extrativistas como modelos de equilíbrio entre o ser humano e a natureza.
O Guajará Notícias continuará acompanhando os desdobramentos desse projeto inovador, que alia conservação ambiental, geração de renda e protagonismo comunitário em uma das regiões mais ricas em biodiversidade da Amazônia.