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AUSÊNCIA DE MÉDICO LEGISTA ESCANCARA DESCASO COM GUAJARÁ-MIRIM E NOVA MAMORÉ
Os corpos das três vítimas do grave acidente ocorrido na Estrada do Palheta, no dia 1º de janeiro de 2026,
03/01/2026 11h47 Atualizada há 8 meses
Por: João Teixeira Fonte: Fonte: Redação/Guajará Noticias
Divulgação

Os corpos das três vítimas do grave acidente ocorrido na Estrada do Palheta, no dia 1º de janeiro de 2026, chegaram a Guajará-Mirim na madrugada deste sábado, 3, após serem removidos para o Instituto Médico Legal (IML) de Porto Velho. A situação reacendeu a indignação de moradores e familiares, que voltam a denunciar a histórica falta de médico legista nos municípios de Guajará-Mirim e Nova Mamoré.

A ausência do profissional obrigou o translado dos corpos em veículo oficial conhecido como “rabecão”, pertencente ao Governo do Estado, até a capital. O procedimento, embora previsto diante da inexistência de estrutura local, expôs mais uma vez a fragilidade dos serviços públicos essenciais na região de fronteira. Segundo relatos de familiares, o veículo apenas realizou a remoção dos corpos, não permanecendo em Porto Velho para o retorno, o que agravou ainda mais a situação.

Após a liberação pelo IML, os familiares das vítimas enfrentaram dificuldades para trazer os corpos de volta ao município de origem. Sem apoio institucional para o translado funerário, recorreram a campanhas em redes sociais e à solidariedade de amigos e conhecidos para arrecadar recursos destinados ao sepultamento. O constrangimento e o sofrimento se somaram ao luto.

Os corpos chegaram a Guajará-Mirim já em avançado estado pós-morte, exigindo sepultamento imediato, o que causou ainda mais comoção e revolta entre parentes e moradores. Para a população local, o episódio evidencia não apenas um problema pontual, mas uma falha estrutural persistente na política pública de saúde e segurança institucional na região.

Moradores de Guajará-Mirim e Nova Mamoré destacam que a falta de um médico legista não é uma situação nova, mas um problema antigo, reiteradamente denunciado e até o momento não solucionado pelo poder público estadual. A fronteira com a Bolívia, estratégica e populosa, segue sem um serviço básico que garante dignidade às famílias em momentos de extrema dor.

Com a chegada de um novo ano e em meio ao cenário pré-eleitoral, cresce o questionamento da população sobre o compromisso dos futuros representantes políticos com a região. A cobrança é direta: que a fronteira rondoniense deixe de ser tratada com descaso e passe a receber atenção proporcional à sua importância social, geográfica e humana.

O episódio deixa um alerta claro às autoridades constituídas e aos que pretendem disputar cargos públicos: a ausência de políticas efetivas para Guajará-Mirim e Nova Mamoré tem consequências reais, dolorosas e irreversíveis para quem vive na região.