Polícia POLÍCIA
CRIADORES BUSCAM NA JUSTIÇA, DE FORMA PACÍFICA, SOLUÇÃO PARA PREJUÍZO DE R$ 9 MILHÕES NA VENDA DE GADO A FRIGORÍFICO
Durante as primeiras horas da manhã desta quinta-feira, 29 de janeiro de 2026,
29/01/2026 10h34 Atualizada há 7 meses
Por: João Teixeira Fonte: Fonte: Redação/Guajará Noticias
Divulgação

Durante as primeiras horas da manhã desta quinta-feira, 29 de janeiro de 2026, criadores de gado dos municípios de Guajará-Mirim, Nova Mamoré e do distrito de Extrema realizaram uma mobilização pacífica em dois pontos estratégicos ligados ao Frigorífico Raminux, empresa acusada de causar um prejuízo milionário ao setor pecuário da região.

Parte dos manifestantes montou sentinela em frente às instalações do frigorífico, localizadas nas proximidades da Serra dos Parecis, enquanto outro grupo se concentrou em uma casa de carnes da mesma empresa, situada na Avenida Leopoldo de Matos, bairro Tamandaré, em Guajará-Mirim. A ação teve caráter exclusivamente reivindicatório e ocorreu sem qualquer registro de tumulto ou intervenção policial.

O Guajará Notícias acompanhou a mobilização a convite dos produtores rurais, que buscam chamar a atenção das autoridades para um suposto golpe financeiro envolvendo a comercialização de bovinos destinados ao abate. Conforme levantamento apresentado pelos criadores, o prejuízo acumulado em todo o estado de Rondônia já ultrapassa R$ 9 milhões, sendo que aproximadamente R$ 4 milhões correspondem apenas a produtores de Guajará-Mirim e Nova Mamoré.

Entre os prejudicados estão criadores de diversas localidades rurais, como Cachoeirinha, Bom Sossego, Ramal do Palheta, entre outras regiões produtoras. Desde o dia 14 de dezembro de 2025, os pecuaristas estão adotando medidas judiciais com o objetivo de responsabilizar a empresa e seus sócios, buscando o ressarcimento dos valores referentes a cargas de gado entregues e não devidamente quitadas.

Os produtores estão sendo representados pelo advogado Dr. David Crispim de Oliveira, inscrito na OAB/RO sob o nº 6913, que informou que já foram protocoladas ações judiciais cíveis e representações formais, com base em indícios de inadimplemento contratual, possível fraude comercial e danos patrimoniais, cabendo agora à Justiça a apuração dos fatos e a eventual responsabilização dos envolvidos.

A manifestação desta quinta-feira transcorreu de forma ordeira e pacífica, demonstrando, segundo os próprios criadores, o compromisso com a legalidade e o respeito às instituições. Os produtores destacam que não buscam confronto, mas sim uma solução jurídica para um problema que tem causado impactos financeiros severos, comprometendo a subsistência de famílias que dependem diretamente da atividade pecuária.

Por meio do Guajará Notícias, os criadores também fizeram um apelo à população, solicitando que qualquer informação concreta que possa contribuir para a localização dos responsáveis legais pela empresa seja repassada às autoridades competentes. O objetivo, segundo eles, é colaborar com o trabalho investigativo e permitir que o caso seja solucionado dentro dos parâmetros da lei.

O caso segue sob análise do Poder Judiciário, e novas providências deverão ser adotadas conforme o andamento processual. As autoridades policiais e órgãos fiscalizadores poderão ser acionados caso sejam constatados indícios de crime contra a ordem econômica ou contra o patrimônio.

As medidas judiciais já adotadas em favor dos criadores vítimas do suposto golpe seguem listadas abaixo.

HISTÓRICO DOS FATOS – PARA REGISTRO DE OCORRÊNCIA

Os noticiantes são produtores rurais da região de Guajará-Mirim/RO e municípios adjacentes, que, ao longo dos últimos meses, realizaram diversas operações de venda de gado bovino para abate ao FRIGORÍFICO RAMINUX COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ nº 10.214.093/0003-72, com endereço no Sítio Lote 01/A, Gleba Guajará PF, Zona Rural, Município de Guajará-Mirim/RO, CEP 76.850-000, bem como utilizando dados fiscais vinculados à empresa RAMINUX COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA, inscrita no CNPJ nº 10.214.093/0002-91, com endereço na Avenida Jamari, nº 3812, Sala 02, Setor 02, CEP 76873-002, Ariquemes/RO, conforme orientações fornecidas aos produtores para emissão de notas fiscais.

Os produtores cumpriram integralmente suas obrigações contratuais, realizando a entrega dos animais, permitindo o abate e emitindo as respectivas notas fiscais. Contudo, não receberam os valores devidos, passando o frigorífico a inadimplir sistematicamente os pagamentos, acumulando débitos que, segundo levantamentos internos e informações amplamente divulgadas na imprensa local, ultrapassam R$ 9.000.000,00 (nove milhões de reais).

A situação tornou-se pública e notória em 07 de janeiro de 2026, quando dezenas de produtores rurais se reuniram em frente à unidade do frigorífico, em Guajará-Mirim/RO, para cobrar os valores em atraso, fato amplamente noticiado por veículos de comunicação regionais, sem que a empresa apresentasse cronograma concreto de pagamento ou esclarecimentos oficiais.

Mesmo diante da inadimplência generalizada e do conhecimento público da grave crise financeira enfrentada, o frigorífico continuou adquirindo gado bovino, por meio de seus administradores, prepostos e compradores, mantendo a aparência de regularidade das operações comerciais, sem garantir o pagamento aos produtores fornecedores.

Destaca-se que o Sr. ROMÁRIO MIRANDA, telefone (69) 98489-9824, identificado como comprador de gado que atuava em favor do frigorífico, tinha conhecimento da situação financeira crítica da empresa, bem como dos reiterados atrasos e da falta de pagamento aos produtores rurais, e, ainda assim, continuava intermediando e realizando compras de gado, induzindo produtores a entregarem seus animais ao frigorífico.

Registra-se, ainda, que foram realizadas pesquisas patrimoniais e de bens em nome da empresa RAMINUX COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA, bem como em nome de seu sócio proprietário, RODOLFO KALINOVSKI DE OLIVEIRA, brasileiro, empresário, inscrito no CPF nº 048.422.549-98, filho de REGINA APARECIDA F. OLIVEIRA, residente e domiciliado à Rua Quinze de Novembro, nº 310, Centro, Campo Grande/MS, CEP 79002-140, possuindo também domicílio à Avenida Seis, nº 308, Centro, Chapadão do Sul/MS, CEP 79560-000, não tendo sido localizados bens ou ativos suficientes em nome de ambos, aptos a garantir a satisfação das dívidas já vencidas.

Tal circunstância agrava a situação, pois indica, em tese, possível esvaziamento patrimonial, incompatível com o elevado volume de operações comerciais realizadas e com os valores expressivos devidos aos produtores rurais.

Os noticiantes relatam, ainda, que as propostas apresentadas pela empresa para solução do passivo consistiam em parcelamentos longos, sem qualquer garantia real, acompanhadas de comunicações no sentido de que, caso os produtores não aderissem aos termos impostos, o frigorífico ingressaria com pedido de recuperação judicial, reforçando a percepção de que a empresa já não possuía capacidade financeira de honrar os compromissos no momento das aquisições.

Diante desse cenário, há fortes indícios de que as compras de gado ocorreram quando o frigorífico já se encontrava em situação de incapacidade financeira, o que, em tese, pode caracterizar dolo antecedente, induzindo os produtores a erro quanto à real possibilidade de pagamento.

Assim, os fatos narrados indicam, em tese, a possível prática do crime de estelionato (art. 171 do Código Penal), possivelmente em concurso de pessoas (art. 29 do CP), razão pela qual os noticiantes comparecem para registrar a presente ocorrência, requerendo a instauração de procedimento investigatório, inclusive para apuração da responsabilidade dos administradores da empresa, do sócio proprietário e de eventuais prepostos que, cientes da situação, continuaram a intermediar as compras.

Os noticiantes colocam-se à disposição da autoridade policial para apresentação de documentos fiscais, contratos, mensagens, relatórios internos, matérias jornalísticas e demais provas que se fizerem necessárias à completa elucidação dos fatos.