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POPULAÇÃO DE GUAJARÁ-MIRIM E NOVA MAMORÉ CLAMA POR MÉDICO LEGISTA E DENUNCIA SOFRIMENTO SILENCIOSO DE FAMÍLIAS
A morte, por si só, já carrega um peso difícil de suportar. Para a maioria das famílias, o luto encontra algum alento no ritual do velório,
05/02/2026 16h36 Atualizada há 6 meses
Por: João Teixeira Fonte: Fonte: Redação/Guajará Noticias
Divulgação

A morte, por si só, já carrega um peso difícil de suportar. Para a maioria das famílias, o luto encontra algum alento no ritual do velório, na despedida silenciosa, nas últimas homenagens prestadas antes do sepultamento. No entanto, para moradores dos municípios de Guajará-Mirim e Nova Mamoré, esse direito básico vem sendo sistematicamente negado diante da ausência de um médico legista na região.

De acordo com a legislação vigente, toda morte decorrente de causa violenta deve, obrigatoriamente, passar por exame de necropsia no Instituto Médico Legal (IML). O problema é que os dois municípios não contam com esse profissional essencial. Como consequência, os corpos precisam ser transladados por um veículo da Secretaria de Segurança Pública do Estado — o rabecão — até o IML da capital, Porto Velho, localizada a centenas de quilômetros de distância.

A longa distância, aliada à burocracia e à logística do transporte, faz com que, na maioria das vezes, os corpos retornem aos municípios após muitas horas, ou até dias, já em avançado estado de decomposição. Diante dessa realidade, famílias são obrigadas a seguir diretamente para o cemitério, sem velório, sem despedida, sem o último gesto de amor àqueles que partiram.

O drama ganhou contornos ainda mais dolorosos nesta quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026, quando um grave acidente de trânsito foi registrado na BR Engenheiro Isaac Bennesby, resultando na morte de Edmilson Sales Torres, de 74 anos, popularmente conhecido como “Dólar”. Muito conhecido e querido em Guajará-Mirim, Edmilson teve seu corpo encaminhado ao IML de Porto Velho pela ausência do médico legista no município. Até o início da tarde desta quinta-feira, 5, o corpo ainda não havia retornado à cidade, prolongando o sofrimento de familiares e amigos.

Edmilson era filho de nordestinos e carregava em sua história a marca da cultura popular. Seu pai, o saudoso Chico do Peta, mantinha um pequeno comércio às margens da rodovia federal, na entrada do ramal Bom Sossego, ponto conhecido por gerações de moradores. A ligação da família com a música nordestina, especialmente o forró pé de serra embalado pelo som da sanfona, fez de “Dólar” uma figura popular e respeitada na comunidade.

Casos como esse expõem uma ferida aberta no interior do estado: a falta de estrutura mínima para garantir dignidade até mesmo no momento da morte. A população de Guajará-Mirim e Nova Mamoré, já marcada por distâncias geográficas e limitações históricas de acesso a serviços públicos, agora convive com a dor adicional de não poder velar seus mortos.

Diante desse cenário, moradores dos dois municípios fazem um apelo direto ao governador do Estado de Rondônia, Coronel Marcos Rocha, para que providências urgentes sejam adotadas no sentido de garantir a presença de médicos legistas na região. O pedido não é político, mas humano. Trata-se de assegurar dignidade às famílias enlutadas e respeito àqueles que encerram sua trajetória de vida.

Enquanto a solução não chega, o silêncio dos velórios ausentes continua ecoando como um grito contido de dor, esperando ser ouvido pelas autoridades competentes.