Com a presença da várias entidades ligadas às atividades culturais, foi que a Secretária de Estado Genilda Flores recebeu na manhã de sábado (23) no Núcleo Regional em Guajará-Mirim, o deputado estadual Neidson Soares (PT do B) para uma reunião aberta com todos os partícipes, ocasião em que puderam opinar, colocar suas posições e destrinchar todos os aspectos em relação à pendenga do Festival dos Bois-bumbás de 2015.
Com sua última edição no já longínquo 2012, o Festival dos bois-bumbás está suspenso desde esta época devido a interdição por parte do Corpo de Bombeiros, da arena onde ocorria o concurso. Hoje, pelo parecer do Sub-Grupamento instalado na cidade, o Bumbódromo encontra-se em condições não convencionais para a realização da festança cultural, com precisão de necessárias reformas e reparos no seu todo ou em partes da construção.
De fato, o Bumbódromo – espaço onde se realizava o Festival, de responsabilidade do Estado – encontra-se entregue ao Deus-dará, em completo estado de abandono e depredação devido à ação de vândalos. E até hoje as alegorias que foram utilizadas na última amostragem cultural, encontram-se expostas a céu aberto e sujeitas ao sol e chuvas ocasionais, como qualquer cidadão pode observar.
Presente ao encontro, o Professor Ariel Argobe, em tom de desabafo, disse que com a chegada de Confúcio Moura à chefia executiva do Estado de Rondônia, “Acreditava numa alavancagem motora na cultura em todo o Estado, até por ser um homem dado à poesia, a erudição e a polidez e finesse no trato pessoal. Mas não. Até o ex-governador Ivo Cassol, tido como uma pessoa rústica e grosseira, realizou mais no âmbito da cultura que Confúcio Moura”.
No auge da discussão, o professor Fábio Casara, uma das pessoas que mais tem lutado em prol do resgate da cultura nativa da Cidade Pérola, apontou como principal entrave para as expressões culturais, os Termos de Acordo do MP, que vem minando tudo quanto é tipo de manifesto popular, desde as tradicionais quadrilhas dos arraiais até a festa do Divino. “O MP sempre se manifesta contrário às expressões artísticas e culturais de cunho popular. Não dá para entender como transgressão, as expressões culturais onde existem secretarias especiais para o assunto”.
Com carradas de razão, o reclame do professor Casara encontra cimento na recomendação do Ministério Público ao Governo do Estado e à Assembleia Estadual, para que não se destinem recursos para estes tipos de eventos.
O Festival dos Bois-bumbás de Guajará-Mirim, em sua essência substancial, sempre procurou se contrapor aos festivais de agronegócios que ocorrem em toda a extensão da Rodovia 364. Parte do pacote de eventos voltados para a cultura e turismo, vocação natural da Cidade Pérola, com conexões e ativos na economia municipal em todos os âmbitos, o Festival dos Bois-bumbás hoje esbarra em barreiras e obstáculos de todos os tipos que a cada dia mais atrasam a cidade já carente de eventos e espetáculos, deixando seus cidadãos à mercê da estagnação e do marasmo.
Propostas e sugestões não faltaram nesta reunião, desde projetos para a construção de barracões aberto a visitação com oficinas, exposição de fantasias, estandes de vendas de artesanato e espaço para ensaios, até a cedência em caráter permanente de logística por parte do Estado, como arquibancadas, som, iluminação, camarotes, banheiros químicos e estandes para venda de comidas típicas, tornando o espaço um local de atrações o ano inteiro.
Atento a tudo e a todos, o deputado Neidson Soares garantiu aos presentes que marcará uma reunião com o Governo do Estado, a Secretaria Municipal de Cultura e as representações dos Bois-bumbás, ficando o parlamentar como meia-armador nos trâmites que irão definir os ajustes e aplicações para a concepção das coisas pendentes.
Em tempo: na ocasião o parlamentar adiantou que a emenda de sua autoria nos valores de R$ 200.000,00 (Duzentos Mil Reais) já encontra-se à disposição das duas entidades de folclore na Secretaria Estadual de Cultura.
Fonte: Assessoria
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