A entrada em vigor de uma lei federal que normatiza o transporte de mercadorias do Brasil para a Bolívia gerou um impasse entre os dois países, deixando centenas de brasileiros e bolivianos sem sua fonte de renda. Os chapas, que eram contratados pelos caminhoneiros para descarregar as mercadorias, estão parados.
Durante anos, o transporte de mercadorias do Brasil para a Bolívia foi feito em pequenas embarcações, nas quais eram utilizadas os trabalho braçais dos chapas para carregar e descarregar as mercadorias. Vários pais de família, bolivianos e brasileiros, tinham na atividade sua principal fonte de renda.
Mas, a partir desta segunda-feira (06/07) as operações de exportações e importação entre Guajará-mirim e Guayaramerin na Bolívia só poderão ser feitas por meio de balsas, que deverão transportar veículos previamente habilitados, carregados de mercadorias. Ou seja, as mercadorias não poderão mais ser descarregadas no porto oficial. Elas seguirão para o lado boliviano nos caminhões e carretas fechados.
Desde a última quarta feira os bolivianos donos das pequenas embarcações e chapas decidiram protestar contra o cumprimento da lei brasileira e estão proibindo a entrada de qualquer tipo de mercadoria em Guayaramerin.
De acordo com informações do sindicato dos proprietários de pequenas embarcações na cidade boliviana, 200 famílias, dependem dessa atividade para sobreviver. A categoria reivindica que além da balsa, eles possam continuar com a atividade para atender os pequenos exportadores, que não dispõem de carretas e caminhões habilitados e que por isso também estão no prejuízo.
Grande parte dos produtos alimentícios consumidos na Bolívia são importados do Brasil. De acordo com dados do portal do comércio exterior, somente Rondônia exporta para Bolívia cerca de cinco milhões de dólares em mercadorias, todos os meses. Se a manifestação dos bolivianos continuar, em breve eles vão enfrentar outro problema: o desabastecimento do comércio.
O presidente da Associação Comercial de Guajará-Mirim, Delny Cavalcante, informou que está mantendo contatos com a bancada federal em Brasília e também com o Itamaraty, buscando uma forma de resolver o problema o mais rapidamente possível. Ele acredita que a nova medida teve a interferência direta do presidente boliviano Evo Morales junto à presidente Dilma Roussef, pois a medida vai aumentar a arrecadação de impostos do país boliviano.
JOÃO LUIS MIRANDA – EMPRESÁRIO RESPONSÁVEL PELA BALSA
Fonte: Estaçao News
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