
Em relação ao incêndio de falatórios e distorções que hoje se propagam em forma de informação a respeito do impasse que envolve o transporte de produtos mercantis para a Bolívia, coisa que nos últimos dias tem dado motivos para tudo o quanto é tipo de conversas, inclusive sobrando fagulhas para este que vos está teclando, gostaria de escrever algumas palavras no tocante aos fatos, até para que esta Coluna não se depare com uma crítica ainda mais ácida e severa do que aquela que sem dúvida merece.
O problema do embaraço portuário tem causado dores de cabeça tanto às instituições políticas e órgãos públicos, como às empresas comerciais e de transportes, e também àqueles que sobrevivem do comércio formiga de fronteira que se realiza nesta paragem desde a fundação de ambas as cidades-gêmeas.
Neste teatro de interesses contrários, alguns informes vêm batendo de frente com a oposição de todos os lados que se contrariam, e maioria das vezes de maneira irresponsável. Percebe-se na leitura de algumas notícias a respeito do quiproquó, tendências tomando partido da situação, caso gravíssimo em se tratando do papel do jornalismo, não pela obrigação moral, mas pela percepção privilegiada de alguém que dispõe de espaço para relatar fatos para centenas, talvez milhares de pessoas.
Neste imbróglio, é de lamentar que existam pessoas que procuram desvirtuar a realidade até ao absurdo e colocar a opinião pública na mais completa ignorância a respeito da situação. Lógico que vão existir desculpas, tipo sair pela tangente dizendo que os jornalistas muitas vezes propagam besteiras porque tem que colocar as notícias em cima do lance e com o imediatismo necessário à imprensa. Nada a ver. O jornalista responsável tem a obrigação de colher as informações, refletir sobre elas, analisar as fontes para, a partir daí, apresenta-las de modo inteligente ao seu público. O formato de tráfego de mercadorias imposto pela Receita Federal obedece aos parâmetros que regulam este tipo transporte? Sem dúvidas. O advento deste novo formato acabou trazendo consigo um problema social? Também. Não existem segredos para se escrever uma matéria com base em fatos concretos. Parágrafo.
Quem me acompanhou até aqui, a esta altura deve estar pensando : “Mas isto não tem nada a ver com as calças que este artigo costuma estar trajado”. Acho que tem sim. Mas também posso estar enganado. É possível que aquilo que hoje é minha opinião, talvez amanhã não o seja. Meus oponentes de ideias deveriam se alegrar por este motivo. Ou seja, por eu não estar falando todos os dias a mesma coisa, uma vez que eu já estou até os tímpanos repletos de ouvi-los repetir sempre as mesmas baboseiras.
Autor: Fábio Marques
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