Dezenas de indígenas de várias etnias do Município de Guajará-Mirim continuam ocupando as instalações do prédio da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) na cidade e afirmam que não cessarão o movimento enquanto suas reivindicações não forem atendidas e o presidente do órgão não vir de Brasília para ouvi-los pessoalmente.
Geraldina Wajuru, de 49 anos de idade, vive na localidade de Ricardo Franco, e é a representante dos Índios Desalojados (aqueles que vivem na cidade) disse que os índios querem mais atenção da Funai na questão de atendimento na Saúde e na Educação, além de assistência técnica na área de agricultura. Querem também a construção de uma Casa de Apoio aos índios que deixam as aldeias e vêm para a cidade estudar.
Gilmar Oro Não, um dos líderes do movimento, disse que o povo indígena está abandonado pelos dirigentes da Funai e acusa-os de não tomarem providências quanto a presença de madeireiros e garimpeiros em suas terras, explorando ilegalmente suas riquezas sem qualquer retribuição.
Gilmar afirmou que se a situação não for resolvido até a próxima sexta-feira, 30, e o presidente do órgão não vir a Guajará-Mirim discutir a questão, o movimento será engrossado com a presença de mais ou menos 500 índios que estão se deslocando de várias localidades para Guajará-Mirim. Eles vêm de Nova Mamoré, do Lage, do Ribeirão e de outras localidades das áreas rural e ribeirinha.
Afirmou que eles poderão ocupar, além da sede da Funai, órgãos como a Coordenadoria Regional de Ensino e a Secretaria Municipal de Saúde para reivindicar seus direitos.
O que diz a Funai
O advogado João Soares, servidor público federal lotado na Funai de Guajará-Mirim, é Chefe da Divisão Técnica e atual Coordenador Substituto da Funai em Guajará-Mirim. Ouvido por nossa reportagem, classificou de arbitrária a decisão dos índios de invadir o prédio da Funai.
Ele salientou que não há nenhum motivo para essa invasão e que nenhuma reivindicação foi feita oficialmente, além de que nenhuma pauta de reivindicação foi apresentada. Salientou que há intenções políticas por trás desse movimento e que prepara uma petição de Reintegração de Posse do prédio que será apresentada à Justiça Federal em Guajará-Mirim.
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