Em entrevista ao site Guajará Noticias, um dos pioneiros falou um pouco da sua trajetória desde que chegou a Guajará-Mirim. José Maria Rabelo, carinhosamente conhecido como “Zé das Frutas”, conta que chegou ao município dia 2 de setembro de 1955. Ele veio do sertão nordestino, de um local chamado Morada Nova, no Ceará, ná época tinha apenas 16 anos. Em seguida, foi trabalhar cortando seringa, em um seringal no rio São Miguel, de propriedade dos seringalistas João Suriadakis e Massud Kallil. Zé das Frutas disse que, naquela época as coisas eram muito difíceis e que os seringueiros ficavam por muitos meses dentro dos seringais, trabalhando e lutando para sobreviver, devido às doenças tropicais, como a Malária, Hepatite, Febre-amarela e outros males, e também por causa da dificuldade que era para chegar ao local, isso sem falar das feras que tinham que enfrentar, todos os dias, dentro da selva amazônica.
Aos 31 anos, José Maria Rabelo veio para cidade e aqui estabeleceu residência, nesta época conheceu dona Maria Laia Antelo, sua primeira companheira e com quem teve um casal de filhos. Como não deu certo o primeiro casamento, Zé das Frutas e dona Maria Laia Antelo se separaram. Pouco tempo depois, ele conheceu outra senhora com quem, mais uma vez, se casou. Dessa união nasceram mais sete filhos.
O velho seringueiro esclareceu o motivo pelo qual, até hoje, é conhecido pelo apelido de Zé das Frutas. Ele informou que foi devido ao fato de ter aberto uma frutaria no Porto Oficial, onde vendia frutas. As pessoas passaram a dizer “vamos à frutaria do seu Zè das Frutas”. Assim, em pouco tempo era chamado pelo apelido que pegou e, continuou, mesmo depois que ele fechou a frutaria e abriu um club no bairro do Triângulo. O clube, claro, foi batizado como Club do Zè das Frutas. E assim é conhecido ate hoje com seus 77 anos de idade.
Zé das Frutas, ao ser perguntando como avalia o município, do passado até os dias de hoje, disse que lamenta que alguns administradores tenham deixado a cidade chegar a esse estado em que se encontra.Como conheceu muitos administradores do passado, seu Zé também lamentou a ação dos políticos atuais, que não deram aquela atenção que a Perola do Mamoré realmente precisava receber deles. E hoje o que observamos é uma cidade maltratada e aparentemente esquecida, diante do que ela já foi. Uma coisa é certa: com uma história de vida tão longa, com certeza Zé das Frutas conhece bem a cidade que um dia já foi a “Pérola do Mamoré”.
Fonte: Guajara Noticias
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