Houve algum ingênuo que imaginou que o senador rondoniense Acir Gurgacz, relator do caso das Pedaladas Fiscais da Presidente Dilma iria contra ela e a favor do Tribunal de Contas? Quem sabe apenas um, porque sempre há um ingênuo em todas as histórias. Porque o restante do Brasil já sabia que Gurgacz jamais se insurgiria contra o Planalto e sua ligação profunda com a situação. Ele jamais representaria a oposição, mesmo sabendo que a Presidente e seu governo estão por um fio e que, em Rondônia, seus eleitores certamente não gostaram da decisão que ele tomou. Mas e daí? Acir fica bem com o Planalto, enquanto lhe for conveniente, como muitos outros líderes políticos do país o farão, para não perder as benesses que só o poder pode dar. Em Rondônia, a eleição que interessa a ele só acontecerá daqui a três anos e, é claro, ninguém mais lembrará de um detalhe como o do apoio à Dilma, tanto tempo atrás. Afora isso, provavelmente apenas com um nome forte para competir com ele, até agora (o de Maurão de Carvalho), Acir mira o Governo e sabe que suas chances são imensas.
A verdade é que Acir é apenas mais um personagem secundário neste contexto das Pedaladas Fiscais. Porque a figura central é a Lei de Responsabilidade Fiscal, ela mesma, que está indo célere para sua sepultura. Que foi ignorada pela Chefe da Nação e o mesmo caminho pode ser seguido por Governadores, Prefeitos e todos os demais gestores públicos. A Lei que oxigenou a administração pública brasileira, foi pisoteada e pode ser enterrada. Porque se a Presidente pode, por que os outros não poderão? Afinal, as leis não são iguais para todos? Ou isso também é ingenuidade?
Autor: Sérgio Pires
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