
A falta de um local adequado para a realização de exames de praxes por mortes violentas ou mesmo vítimas de acidentes de trânsito em Guajará-Mirim constitui um dos grandes problemas do município, mas o governo estadual nunca teve nenhuma preocupação em resolver a situação. Entra governo, sai governo, a população sempre reivindica e nenhuma providência foi tomada, há vários anos. E este não é o único problema, porque também não existe profissional médico legista para atender às demandas, fato que cria muitos transtornos por longos anos. A impressão que fica é a de que as autoridades estaduais desconhecem a legislação em vigor, que exige local adequado e profissionais técnicos para o atendimento, entre eles o legista. Sempre que acontecem campanhas eleitorais, muitas promessas são feitas, mas tudo fica apenas na conversa.
Como o médico que atendia o município de Guajará-Mirim foi aposentado, algumas vezes os plantões eram cobertos por profissionais que se deslocavam da capital do estado, para fazer o atendimento, situação que já era difícil, visto que Porto-Velho está a mais de 300 quilômetros de Guajará-Mirim. Até mesmo o profissional de Nova Mamoré, que muitas vezes também fazia os atendimentos na Pérola do Mamoré, o Dr. Vicente, encontra-se de licença médica há cerca de três meses, fato que tornou a situação ainda mais complicada. Os exames de necropsia, que eram realizados pelo Dr. Vicente, já não acontecem há meses, em virtude da situação de licença médica. Assim, quando acontece alguma morte violenta, provocada por arma de fogo, faca, ou acidentes de trânsito, o corpo da vítima, ou vítimas, é levado para o IML de Porto – Velho. Esta situação causa muita dor aos familiares, porque em função do tempo para os exames, até o retorno do corpo, em muitos casos é necessário fazer um sepultamento imediatamente após a chegada do corpo a Guajará-Mirim, ou Nova Mamoré, impedindo os familiares de fazerem as homenagens aos seus entes queridos.
Em virtude de tanto descaso com as famílias que residem na região da fronteira, a população pede ao Ministério Público que interceda e exija das autoridades competentes uma solução definitiva para o problema. Trata de um direito que as pessoas possuem a terem atendimento digno no setor de saúde, segurança e outros. É inaceitável que o Governo de Rondônia não cumpra deveres tão básicos, como é o caso da Medicina Legal em prol da coletividade. Não se pode admitir que esta situação perdure por mais tempo, causando dor, sofrimento e muitos outros transtornos para a população que habita a região de Nova Mamoré e Guajará-Mirim.
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