
As gerações mais recentes certamente não se lembram do período em que o município de Guajará-Mirim, cidade histórica de Rondônia, viveu seus principais momentos de glória. Entretanto, aqueles que conheceram de perto a época do ciclo da borracha e da castanha possuem até hoje na memória as lindas paisagens de uma belíssima cidade situada às margens do imponente rio Mamoré, que marca a fronteira entre o Brasil e a Bolívia na mais antiga cidade de Rondônia. A história tem como protagonistas os nordestinos, libaneses, bolivianos, gregos, mato-grossenses e diversos outros pioneiros oriundos de outras nações ou estados brasileiros. Esta mistura de povos, somada às belezas naturais e o sonho de construir novos caminhos consolidou a história da “Pérola do Mamoré”.
Nas décadas de 60, 70 e 80, os recursos públicos eram mais robustos e a cidade possuía inúmeras atividades econômicas que geravam grande parte da riqueza do município. Todavia, infelizmente, nos dias atuais, a realidade é um pouco diferente e as consequências são percebidas até mesmo na fragilidade da infraestrutura do município, principalmente no quesito drenagem de águas pluviais. A visível escassez de recursos públicos nos faz lembrar com saudade dos tempos de ouro da cidade da fronteira e o forte inverno amazônico castiga duramente a cidade que é uma excelente opção para quem utiliza bicicleta, no período do verão, em função de ser uma cidade plana que possibilita olhar horizontalmente de um lado para outro do município. Claro que esta situação de planície traz sérias consequências, quando as chuvas caem com a intensidade atual, já que as ruas não suportam o volume de água e este fenômeno é motivo de inúmeros transtornos para a população e para todos os gestores do município. Não podemos negar que a falta de grandes projetos de infraestrutura resulta em problemas que incomodam a todos, mas é preciso compreender que seriam necessários recursos de grande monta para que obras de tal magnitude sejam executadas.
A atual administração municipal tem à frente do Palácio Pérola do Mamoré Raissa Paes, conhecida como Raissa Bento. É a primeira vez que uma mulher assume o comando da cidade. Raissa é esposa do empresário Antônio Bento do Nascimento, que já exerceu o mandato de vereador, mais de uma vez no município, tendo, inclusive, assumido o cargo de prefeito, por vários meses, na ocasião em que o ex-prefeito Cláudio Pilon fora afastado do cargo. A prefeita Raissa Bento conta, portanto, com o apoio do esposo e todas as pessoas que vivem em Guajará-Mirim conhece a determinação e dedicação da atual gestora, buscando diariamente as soluções para os muitos problemas de Guajará-Mirim. Negar o bom desempenho da prefeita realmente não parece ser o caminho mais honesto, porque diversos problemas muito antigos do município foram resolvidos sob sua administração. Logicamente que a proximidade do período eleitoral causa o surgimento de vários críticos de última hora, que ficaram escondidos por muito tempo, mas que agora prometem soluções mágicas. A pré-campanha certamente focará na questão de infraestrutura, mas os críticos da atual administração dificilmente apresentarão soluções concretas para a problemática das águas pluviais.
Os duros ataques contra a prefeita devem partir até mesmo de pretendentes ao cargo de vereador, muitos deles atraídos pelos salários que receberão os novos vereadores do município. Em uma proposta aprovada recentemente pelos atuais vereadores, o salário passa a ser de R$ 10.000,00 (dez mil reais) e mais um auxílio alimentação de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais). Conforme a mesma proposta aprovada no legislativo, o salário para o cargo de prefeito será de R$ 25.000,00. O salário pago ao prefeito de Guajará-Mirim será superior ao salário de governadores de vários estados do Brasil, entre eles Santa Catarina, Maranhão, Rio de Janeiro, Ceará e outros. Talvez este seja o maior estímulo para que diversas pessoas em Guajará-mirim tenham interesse em disputar as eleições deste ano.
Quanto ao problema das águas pluviais, muitas pessoas têm nos procurado nos últimos dias, para afirmar que o município necessita iniciar um trabalho sólido de infraestrutura e recuperação do sistema de drenagem já existente. Isto é verdade e esta solução tem sido buscada pela atual prefeita, embora não seja tão fácil encontrar a solução. O município depende de recursos destinados por autoridades estaduais e federais. Entretanto, não se pode pensar em soluções tão rápidas ou em soluções mágicas para um problema antigo e complexo. Definitivamente, podemos afirmar, com certeza, que os ataques contra a atual administração possuem muito mais a finalidade de construir discursos eleitorais, porque a solução para a questão de drenagem de águas pluviais requer projetos concretos e parcerias políticas.



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