
Os simpatizantes e praticantes do esporte no município de Guajará-Mirim enfrentam dias de muita angústia e uma sensação de descaso que realmente causa tristeza, em virtude da situação atual do Complexo Esportivo João Saldanha, na Pérola do Mamoré. Ainda no início do ano de 2020, foi assinada uma ordem de serviço que tinha como finalidade reformas e adequações nas instalações do complexo. Após a ordem de serviço, os trabalhos chegaram a ser iniciados e as autoridades responsáveis informaram que as reformas garantiriam à população da Pérola do Mamoré um local apropriado para a realização de eventos esportivos. Este era um sonho antigo dos esportistas e de toda a população, em função daquilo que o João Saldanha representa na memória esportiva da fronteira. Os esportistas sonharam com a volta de grandes competições que foram destaque, por muitas décadas, em Guajará-Mirim, quando havia importantes campeonatos.
Nos tempos áureos do futebol na Pérola do Mamoré, os atletas do município disputaram muitos títulos, através dos seus times como América, Fronteira, Marechal Rondon, Pérola, Guajará, Santos, Cristo Rey e Flamengo. Os craques ainda são lembrados com muito carinho, entre eles, Brando, Dudu, Manoel Sátiro, Orlando Pereira, Salomão Frota, Sabazão, Moura Reis, Rufino, Mariano, Hamilton, Bagre, Ruiter, Jairzinho, Tadino, Zequinha, Miro, Mói de Ferro, Roberto Casca-Uva, Aelson Barros, Walfrido, Nilson Catinga, Nélio, João Menino, Ciro, Assunção, Austerio Malaquias, Renato Sena, Ditão, Miguel Carrate, Pantoja, Martinzão, Bentinho Frota, Sainclair, Cesar Albino, Deca, Antônio Marcos, Márcio Rossel, Aguinaldo, Hiran, Zezinho, Denilson, Marivaldo e tantos outros. Esses eram alguns dos jogadores que pisaram o gramado, na época em que narradores e comentaristas da envergadura de Aldenor Soares e Orlando Pereira batizaram o João Saldanha como sendo um tapete. E, de fato, era! O número de torcedores que frequentavam o estádio para ver os espetáculos também era significativo. O clima de paixão dos torcedores por seus clubes sempre foi algo muito saudável.
Além dos clássicos do campeonato estadual, craques do futebol brasileiro estiveram em Guajará-Mirim e participaram de amistosos. No dia 3 de março de 1973, Garrincha (do Botafogo e da Seleção Brasileira) jogou um tempo na equipe do Marechal Rondon e outro no Pérola do Mamoré. Hoje, o que podemos observar através das imagens é um total abandono, o tapete verde tomado por ervas daninhas e outros, as arquibancadas se desgastando com a força do tempo, as traves dentro do matagal, os vestiários em total abandono, e por ai vai. Muitas pessoas, todos os dias, perguntam a quem elas devem recorrer para interceder, para que o João Saldanha possa, pelo menos, ser reerguido e que sirva para visitação, já que a pratica do futebol no local parece não ser do interesse das autoridades. Parece não existir mais essa possibilidade.
A imensa quantidade de placas de Outdoor colocadas na frente do Estádio Municipal João Saldanha deixa a clara impressão de que a intenção é mesmo esconder da história o lendário estádio da Pérola do Mamoré, um dos maiores palcos de grandes jogos do futebol rondoniense. Pouco tempo atrás, a deputada estadual Drª. Taíssa Souza apresentou requerimento ao governo do estado, solicitando a retomada das obras, mas não existe nenhuma informação sobre o governo acatar o pedido e muito menos sobre prazos para que aconteça a reforma que o descaso interrompeu há quase 5 anos.

















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