
Na manhã deste domingo, 24 de agosto de 2025, parte do prédio onde funcionava a antiga empresa Rondex, em Guajará-Mirim, desabou, trazendo à tona a memória de um período que marcou profundamente a economia local: o ciclo da castanha-do-pará e, em seguida, o da borracha.
O imóvel, já em ruínas há anos, teve papel crucial na geração de emprego e renda durante o chamado tempo áureo da castanha, entre as décadas de 1940 e 1970, quando o extrativismo da amêndoa da castanha-do-pará representava uma das principais fontes econômicas da região. Na Rondex, muitas famílias, especialmente mulheres, garantiam o sustento por meio da tradicional “quebra da castanha”, processo artesanal de retirada e beneficiamento da amêndoa para exportação.
Naquele período, Guajará-Mirim consolidava-se como um polo estratégico devido à facilidade de escoamento pelo Rio Mamoré e à proximidade com a Bolívia. Estima-se que milhares de toneladas de castanha-do-pará tenham passado por galpões como o da Rondex, que ajudavam a sustentar o comércio local, movimentando a economia e projetando a cidade no mercado nacional e internacional.
Com o declínio da produção extrativista, causado tanto pelo esgotamento dos castanhais nativos quanto pela concorrência de novos polos produtores em outros estados da Amazônia, a Rondex encerrou suas atividades, restando apenas a estrutura física, que com o passar das décadas entrou em processo de deterioração.
Ao lado, outro marco da economia extrativista também resiste em ruínas: o prédio da antiga Rondobor, ligado ao ciclo da borracha. Durante a primeira metade do século XX, Guajará-Mirim teve importância estratégica para o beneficiamento do látex oriundo dos seringais da região. A borracha era enviada para mercados internacionais, especialmente os Estados Unidos e a Europa, em um período em que a Amazônia chegou a ser responsável por mais de 90% da produção mundial.
O site Guajará Notícias já havia alertado em diversas ocasiões sobre a situação de abandono desses patrimônios, que carregam parte fundamental da história econômica e social do município. Até hoje, entretanto, não houve manifestação oficial dos proprietários ou medidas efetivas de preservação.
Agora, com o desabamento parcial do prédio da Rondex, cresce a preocupação da população sobre o risco de novos acidentes e sobre o destino dessas estruturas que representam não apenas um passado de riqueza, mas também o descaso com a memória histórica da cidade.
Resta às autoridades competentes definir como lidar com o problema: se haverá interdição, restauração ou demolição definitiva. Enquanto isso, a queda do prédio serve como alerta para a urgência em discutir políticas de preservação do patrimônio histórico de Guajará-Mirim, antes que o pouco que resta do legado da castanha e da borracha seja definitivamente perdido.
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