
A sede da Associação de Moradores do bairro Jardim da Esmeralda, em Guajará-Mirim, foi alvo de ação criminosa e praticamente desmantelada. Imagens encaminhadas à redação mostram que a estrutura física do imóvel foi quase totalmente desmontada, com a subtração de portas, janelas, madeiramento e demais materiais, restando basicamente o terreno onde antes funcionava o espaço comunitário.
O episódio evidencia a fragilidade do patrimônio vinculado aos movimentos de organização popular no município. A entidade, que em períodos anteriores desempenhou papel relevante na interlocução entre comunidade e poder público, já havia sido contemplada com investimentos oriundos de recursos públicos, entre eles a perfuração de um poço artesiano destinado ao abastecimento de água potável para os moradores da localidade. Segundo relatos da própria comunidade, a estrutura nunca entrou em operação regular, tampouco foi formalmente inaugurada, apesar do dispêndio financeiro empregado à época.
Para lideranças comunitárias ouvidas pela reportagem, o esvaziamento das associações de bairro tem impacto direto na capacidade de mobilização social e no controle social das políticas públicas. Sem sede física e sem estrutura mínima de funcionamento, os espaços de participação cidadã acabam enfraquecidos, comprometendo o diálogo institucional com o Executivo e dificultando a formulação de pautas coletivas.
Em Guajará-Mirim, historicamente reconhecida como “Pérola do Mamoré”, o movimento comunitário já teve forte protagonismo, inclusive por meio da antiga UMAM – União das Associações de Moradores do Município, que articulava demandas estruturantes nas áreas de infraestrutura, saneamento e regularização fundiária. Atualmente, entretanto, parte dessas organizações enfrenta descontinuidade administrativa, ausência de manutenção patrimonial e baixa participação social.
O caso da sede do Jardim da Esmeralda reacende o debate sobre a necessidade de políticas públicas voltadas à revitalização dos conselhos e associações comunitárias, com mecanismos de governança, prestação de contas e proteção do patrimônio coletivo. A comunidade aguarda providências das autoridades competentes quanto à apuração dos fatos e à adoção de medidas que evitem a completa descaracterização de um espaço que, no passado, simbolizou a organização popular e a busca por melhorias estruturais no bairro.

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