
Guajará-Mirim (RO) – Um problema urbano antigo, que há anos compromete a paisagem e a saúde pública da chamada “Pérola do Mamoré”, começa a apresentar sinais pontuais de mudança. Após sucessivas denúncias e reportagens, um dos imóveis comerciais abandonados no município na Avenida Dr Lewerger no bairro São José, iniciou recentemente um processo de limpeza e preparação para possível restauração.
Desde 2025, o Guajará Notícias vem realizando uma série de reportagens evidenciando a situação de prédios outrora utilizados por estabelecimentos comerciais estruturados e que, atualmente, encontram-se fechados, deteriorados e em avançado estado de abandono. Muitos desses imóveis têm se transformado em pontos críticos de acúmulo irregular de resíduos sólidos, além de servirem como abrigo para roedores e animais peçonhentos, configurando risco sanitário e ambiental.
A repercussão das matérias tem gerado mobilização popular. Moradores, comerciantes e lideranças locais têm acionado a imprensa com frequência, solicitando a continuidade da cobertura e cobrando providências do poder público municipal. Entre as principais reivindicações está a adoção de medidas administrativas mais rigorosas, como a notificação formal dos proprietários, fixação de prazos legais para adequação dos imóveis e, em casos de descumprimento, aplicação de sanções previstas no Código de Posturas e na legislação urbanística vigente.
Especialistas em gestão urbana apontam que imóveis abandonados impactam diretamente no ordenamento territorial, na valorização imobiliária e na segurança pública, podendo inclusive favorecer práticas ilícitas. A ausência de manutenção também infringe princípios básicos de função social da propriedade, previstos na Constituição Federal e regulamentados por legislações municipais.
Nesta semana, um dos prédios que havia sido alvo de reportagem iniciou serviços de limpeza em seu entorno, ação que não era realizada há anos. A medida, embora inicial, é vista como um reflexo direto da pressão social e da visibilidade proporcionada pelos meios de comunicação.
A expectativa da população é que outros proprietários sigam o mesmo caminho e que o poder público intensifique a fiscalização, promovendo a requalificação urbana e incentivando a reutilização desses espaços, seja por meio de restauração, comercialização ou novos empreendimentos.
O caso reacende o debate sobre políticas públicas voltadas à revitalização urbana em Guajará-Mirim, cidade estratégica na região de fronteira e com potencial econômico ainda subaproveitado. Para muitos moradores, o resgate da infraestrutura urbana é fundamental para devolver à cidade o protagonismo e o desenvolvimento que já marcaram sua história.

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