
O município de Guajará-Mirim, a chamada “Pérola do Mamoré”, distante de Porto Velho, 340 quilômetros, incrustado na divisa do Brasil com a Bolívia, com uma área territorial de 24.854 quilômetros quadrados, sendo 92% áreas de preservação ambiental, o que até agora só tem contribuído de forma negativa, para engessar a economia local, agora, com incentivo do governo do Estado, está encontrando na agricultura familiar, uma nova vocação para o progresso e desenvolvimento.
Com um rebanho bovino girando em torno de 102 mil cabeças e uma produção leiteira de 12 mil litros ao dia, a criação de tambaqui já está alcançando sete toneladas anuais. Destaque ainda para a produção de abacaxi, macaxeira, banana, coco, laranja e tangerina, assim como outras culturas típicas da região, que recebem o suporte técnico da Secretaria de Agricultura e Emater. A meta do governo é triplicar a produção agrícola neste município nos próximos quatro anos.
O plano de desenvolvimento sustentável da agricultura familiar para Guajará-Mirim é ambicioso. Segundo Francisco de Assis Barros, gerente local da Emater, o plano de revitalização da economia deste município passa pelo diagnóstico participativo e consolidado com a meta de atender 450 agricultores familiares, incluindo os distritos de Surpresa e Iata. O objetivo é trabalhar com os agricultores tradicionais, pescadores, extrativistas e povos da floresta.
Primeira vez
Pela primeira vez na história de Rondônia, a extensão rural pública se volta contemplando com prioridade os pequenos produtores rurais que tem sua vocação voltada para o agro-extrativismo, tendo como meta a inclusão destas dezenas de famílias no processo produtivo e no combate à pobreza no campo. Só nos últimos 60 dias, o Banco do Povo, criado e incentivado pelo governo estadual, liberou 210 financiamentos cujos valores variam entre R$ 300 e R$ 10 mil, injetando recursos na economia com projetos que fazem os pequenos crescer.
O açaí, fruto saudável e nutriente da Amazônia, neste ano foi incluído na merenda escolar resgatando a cultura e a identidade daquela gente. De acordo com o governador Confúcio Moura, que orientou pessoalmente a criação de um projeto para a revitalização da região do Vale do Mamoré, “Guajará-Mirim e seu povo, pela sua história, passado de glórias e lutas, merece um tratamento diferenciado”.
Metas e propostas
Um dos primeiros passos foi organizar a produção e produtores rurais, implantando oito agroindústrias familiares que cultivam 600 hectares de mandioca, envolvendo 450 famílias. Os agricultores recebem capacitação em suas próprias comunidades, e são orientados por extensionistas rurais na gestão de seus empreendimentos para elevar a capacidade produtiva sem degradar o solo preservando os seus nutrientes.
A Seagri está ajudando ainda na implantação de 200 hortas, 50 hectares de fruticultura e 50 famílias produzindo aves de corte e postura (caipira). Também incentiva pequenas criações de aves, suínos, ovinos, caprinos e a produção de mel, além de profissionalizar os produtores de leite, atividade que atualmente envolve 80 famílias, aumentando cada vez mais a produtividade.
Mercado para consumo existe, e mais importante ainda: ganham os consumidores ao adquirir produtos de boa qualidade e as famílias que vivem no campo, e até então estavam esquecidas.
O projeto está organizando 50 famílias na produção de 600 toneladas de pirarucu e tambaqui em tanques redes, tudo de acordo com o que determina a legislação ambiental.
Bons exemplos
Com trabalho e força de vontade, Guajará-Mirim tem tudo para se tornar um polo produtor de gêneros alimentícios por meio da Agricultura Familiar. Na fazenda Olho da Água, administrado pelos proprietários Claudemar Lagos e Lucena Romhiski, que geram cinco empregos diretos, são beneficiados mil litros de leite ao dia, empacotados por equipamentos de última geração em saquinhos plásticos mais conhecidos como “barrigudos” e comercializados na região, cumprindo tudo o que determina a legislação.
Explica Lucena Romhiski, responsável pelo empacotamento e distribuição do produto. “Na verdade o que sempre faltou aqui foi incentivo aos pequenos produtores”. No entanto, como as perspectivas são boas o casal está investindo para produzir 300 quilos de queijos diariamente e no projeto de piscicultura.
Os irmãos, Francisco Braga Barroso 65 anos e Abraão Braga Barroso, 62, numa pequena área de 5 hectares cercados de mata e bosques bem preservados, colhem por semana 700 frutos de abacaxi, que comercializam nos supermercados da região e nas feiras livres e ainda atendem o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), uma parceria do Governo Federal com o governo do Estado para levar alimentos de boa qualidade as escolas, creches e entidades assistenciais.
Os dois irmãos produzindo em sociedade, por safra comercializam em torno de 50 mil frutos dos 60 mil pés que foram plantados. Os outros dez mil, segundo Francisco Braga Barroso, são consumidos por macacos, iraras e quatis, que retiram pequenos pedaços do fruto inutilizando-o para a comercialização.
Mesmo assim, a bicharada que aparece em bandos para se alimentar, não é hostilizada e vive tranquila nas matas da região, numa coexistência pacífica. Francisco Braga Barroso, diz em tom de blague: “vou pedir indenização ao governador Confúcio Moura, estou produzindo e preservando o meio-ambiente.”
Fonte: Decom.
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