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Moreira considera insuficientes explicações do BNDES sobre ajuda a frigoríficos

20/10/2011 às 00h18
Por: João Teixeira
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Moreira considera insuficientes explicações do BNDES sobre ajuda a frigoríficos

O deputado Moreira Mendes (PSD-RO) participou nesta quarta-feira de audiência pública na Câmara para ouvir o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, sobre denúncias de favorecimento aos frigoríficos JBS e Marfrig. O banco vem sendo questionado por ter destinado mais de R$ 10 bilhões para os dois frigoríficos comprarem fábricas no exterior. Autor de um dos requerimentos da audiência, Moreira considerou insuficientes as explicações de Coutinho, e disse que não é justificável, nem aceitável, um banco nacional de fomento investir em outros países, enquanto empresas nacionais vão à falência.

“Se juntarmos todos os empregos que os dois frigoríficos geram no Brasil, não chega a 20 mil, e esses dez bilhões estão ajudando a criar 100 mil empregos fora do Brasil”, criticou Moreira Mendes, acrescentando que ainda há um agravante: “Enquanto o BNDES aplicava 95% da verba que tinha disponível em apenas dois grandes frigoríficos, deixou quebrarem dezenas de pequenos frigoríficos pelo país afora, dando, inclusive, um calote em produtores rurais, o que é uma coisa absurda”.

Além do fechamento dos pequenos frigoríficos que geravam empregos no interior, o deputado afirma que os produtores rurais também ficaram no prejuízo, porque venderam seus rebanhos e não receberam pagamento. “Não recebi do presidente do BNDES uma informação contundente que me convencesse”, lamentou Moreira.

Incentivo

Luciano Coutinho disse aos parlamentares que o BNDES está estudando a criação de uma linha de crédito especialmente para atender os produtores rurais. Ele revelou que já há uma negociação em curso entre o banco e o Ministério da Agricultura para desenvolver “uma ação coordenada de promoção da pecuária para fortalecer a base de pequenas, médias e grandes empresas”. Para Moreira Mendes, “a boa notícia” talvez seja uma forma de compensar os prejuízos do setor.

Os recursos previstos pelo banco deverão se destinar à recuperação de áreas e pastagens degradadas, fomento à aquisição de matrizes e melhoria de plantel e da infraestrutura das propriedades. “É importante, até para que se possa produzir de forma sustentável, com mais qualidade, na mesma área ocupada, sem avançar em novos desmatamentos”, avaliou Moreira. Ele aproveitou para convidar o presidente do BNDES para uma reunião na sede da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), da qual é presidente. “O nosso convite é para que ele possa detalhar, exatamente, esse programa a todos os deputados que compõem a frente”, frisou.

 A reunião de audiência pública foi realizada em conjunto pelas comissões de Finanças e Tributação; de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; e de Fiscalização Financeira e Controle.

 

 


Fonte:  Claudivan Santiago – c/ Agência Câmara

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