
O manifesto assinado pela maioria da bancada do PMDB na Câmara dos Deputados que será divulgado oficialmente hoje, além de atacar o PT, acabou por antecipar a discussão sobre a sucessão na direção do partido. Integrantes do grupo que redigiu o texto, liderado pelos deputados Osmar Terra (RS) e Danilo Forte (CE), querem derrubar o grupo do presidente interino da legenda, senador Valdir Raupp (RO), nas eleições internas de janeiro.
A avaliação é de que Raupp enfrenta problemas na Justiça que fragilizam sua condição de presidente. Além disso, o grupo que o sustenta no posto - o mesmo do vice-presidente da República, Michel Temer, do líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), e do líder no Senado, Renan Calheiros (AL) - desde o início da gestão da presidente Dilma Rousseff tem atuado mais por interesses próprios, segundo acusa o grupo rival, do que pelo partido. Interesses próprios como são a manutenção de Temer na chapa presidencial em 2014, a eleição de Alves para a presidência da Câmara e a de Renan para o Senado em 2013.
Com isso, diz a ala rebelde, o atendimento a demandas gerais dos outros integrantes do PMDB passou a ser secundário. As reclamações começaram a crescer e no ano passado formou-se em junho o chamado "grupo dos 35", que reunia deputados do movimento "Afirmação Democrática", em sua maioria do Rio Grande do Sul e liderados por Terra, aos novatos, liderados por Forte. Naquele momento houve promessas de mudanças de atitudes tanto da cúpula do PMDB quanto do governo, que não se concretizaram. Neste ano, antes do Carnaval, deputados da Afirmação se reuniram na residência de Darcísio Perondi (RS) com Temer, ocasião em que o vice-presidente ouviu novamente as reclamações. Pediu calma e paciência.
Autor: Caio Junqueira
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