
A Assembléia Legislativa de Rondônia protagonizou, na tarde dessa quarta feira, mais um triste episódio, que, certamente, ficará incorporado à história daquele poder, ao transformar o plenário em um picadeiro.
A cassação do mandato, não somente do presidente Valter Araújo (PTB), mas de todos os envolvidos na Operação Termópilas, deveria constituir-se em um momento ímpar para os parlamentares e, de modo especial, para o povo de Rondônia, tendo a ALE o papel principal para apontar a direção a ser seguida.
E de pensar que a ALE teve tudo para marcar uma nova postura, uma atitude de mudança e de vontade de aproximação do Poder Legislativo com a sociedade, mas jogou a oportunidade pela janela, deixando que prevalecesse o mais deslavado corporativismo.
A cassação sumária dos acusados era uma aspiração da sociedade e uma imperiosa necessidade. Mais uma vez, porém, a política menor prevaleceu, diante de um assunto de tamanha relevância, que poderia significar a construção de uma nova etapa da história de Rondônia, modificando a concepção negativa que muitos têm daquela casa de leis.
São atitudes como essas que revelam o grau de dificuldades que Rondônia enfrenta para tornar-se respeitada aos olhos de todos, aqui e alhures. A visão da ALE se mostrou limitada e egoísta. Não foi, portanto, como escreveram alguns, uma sessão história, mas uma sessão melancólica, para ficar nos anais do parlamento. Histórica seria se o plenário tivesse cassado todos os oito acusados de participarem do esquema de propina comandado por Valter.
A convulsão que a cidade viveu nos dias que antecederam a leitura do relatório, parece não ter afetado a ALE, que optou por seguir na contramão da história. A população lamenta que ainda seja assim. É natural que estejamos, todos, decepcionados com a conduta da ALE. E o que dizer dos moradores de Cacoal, principalmente os que votaram no deputado Valdivino Tucura, diante das cenas grotescas promovidas pelo parlamentar, durante a votação?
Se a Assembléia Legislativa estivesse realmente determinada na direção da moralidade pública, como afirma o presidente em exercício, José Hermínio Coelho, teria execrado os oito. Mas não! Preferiu pegar Araújo como boi de piranha, para que o resto da manada atravessasse o rio incólume, sem ser incomodada.
Um parlamento que se julga comprometido com a ética e com os bons costumes não pode ser pensado e decidido por uma minoria. O elevado grau de descrédito daquela instituição perante a opinião pública deveria motivar os que ali têm assento a repensar suas atitudes, antes tarde do que nunca.
Fonte: Rondonoticias
Autor: Valdemir Caldas
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