Mesmo tendo sido beneficiada pelo conchavo espúrio feito entre seus pares no Legislativo de Rondônia, a deputada Ana da 8, que ficou conhecida no estado por pedir propina por torpedos enviados ao celular do seu chefe, Valter Araújo, ainda acredita ser a pessoa mais pura do universo político estadual. Sem mandato desde o dia 01 de junho, a deputada adotou um método que lembra o ex- presidente Getúlio Vargas, na década de 30.
Ao criar o Estado Novo, em 1937, Getúlio tomou algumas medidas que, segundo ele, seriam para organizar melhor o estado e livrar o Brasil do Comunismo. Fechou assembléias, a Câmara dos Deputados e o Congresso Nacional, além de partidos e outras organizações civis... A medida tinha um objetivo bem claro: Getúlio não aceitava ser criticado e seu ego foi além do seu governo.
Que bom seria se, o ex-presidente estivesse no poder atualmente, para fechar por uns 50 anos a Assembléia Legislativa de Rondônia, que provoca prejuízos muitos sérios ao contribuinte e leva, a cada legislatura, o nome do estado para a lama, pelo despreparo e pela ação delituosa de vários deputados (pode-se dizer tranquilamente que a maioria deles agem assim). O fechamento da ALE representaria uma economia muito grande para Rondônia, mas seria um duro golpe contra a democracia conquistada com muita luta pelo povo brasileiro. Embora os deputados não saibam honrar os fundamentos de ética e democracia, melhor deixar a Casa aberta, pois futuramente podem ser eleitos representantes com mais dignidade.
Após ter uma punição dessas que qualquer brasileiro desonesto sonha ter, a deputada Ana da 8, foi a Guajará – Mirim procurar diretores de rádios e radialistas com a intenção de proibir que falem dos fatos envolvendo seu nome e como se diz no popular, “jogou pesado”, exigindo que as rádios divulguem apenas as coisas boas sobre seu mandato, sob a alegação de que paga alguns radialistas.
Certamente a ideia da ilustre deputada é fazer com que Guajará – Mirim e Nova Mamoré esqueçam, com a maior brevidade possível, a operação “Termópilas”, desenvolvida pela Polícia Federal, que a flagrou pedindo “din-din” do então presidente da Casa, fato divulgado em prosa e versos por todos os veículos de comunicação do estado. Como as proporções dos atos foram sem precedentes, dificilmente os rondonienses esquecerão com facilidade, mas muitos desavisados serão vistos em campanhas para eleger novamente os denunciados, o que é uma pena!!
Pelo que dizem vários radialistas de Guajará, o corretivo dado por Ana da 8 em alguns deles foi tão duro que houve derramamento de lágrimas e muita depressão. Com certeza os radialistas colocados na parede precisam de “din-din” para sustentar suas famílias e por isso aceitam a humilhação de ter que ser corrigidos por gente de tal estirpe, mas deveriam ter a honra de não se submeter a coisas tão humilhantes pelo valor de R$ 700, 00 mensais. Até mesmo vendendo saltenha nas ruas de Guajará, como diz ter feito o ex-deputado Miguel Sena, daria para ter uma renda dessas, sem haver a menor necessidade de ser humilhado por ninguém.
Ana da 8 e os demais deputados que negociaram as “punições” deveriam lembrar que esta foi uma medida da Casa Legislativa, mas que está longe de ser a punição correta para quem dilapida o erário, para quem desvia recursos da saúde pública ou para quem usa o mandato como balcão de negócios. Além disso, com certeza ainda virá a punição popular, quando esses indivíduos tentarem de novo ser eleitos no futuro. Claro que muita gente vai votar em quem desvia verbas da saúde pública, mas o número de pessoas que farão isso certamente não será suficiente para manter no cargo as pessoas que praticam tais atos, mesmo que o grau de desinformação seja muito grande.
Por outro lado, a população de Guajará – Mirim e Nova Mamoré deve ficar de olho nos radialistas e outros comunicadores que fizerem elogios para a deputada. Ou farão com medo do corretivo que ela deu; ou farão porque ganham R$ 700, 00 por mês, valor muito baixo para quem diz defender os interesses da população... Um jornalista que aceita se calar por esse valor deveria estar entre os presos que Getúlio Vargas puniu na década de 30, sem citar o fato de que não se sabe exatamente a origem dessa grana, se vem dos proventos de quem paga, se vem da saúde, da educação, da ação social...
De uma forma ou de outra, os habitantes dessa importante região do estado seguramente não merecem ser tão mal representados por mandatários ou jornalistas que aceitam tais situações como se fosse a coisa mais natural do mundo... É preciso defender, antes de tudo, a honra e a dignidade... Tenho dito!
Autor: FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor da Rede Estadual
Fonte: Tudorondonia