O Lucas entrou correndo e foi para dentro de casa e se trancou, nisso a polícia arrombou a porta, tirou ele e atirou”, conta Zenóbia Rodrigues de Carvalho, avó do mecânico Lucas Rodrigues Claudino, de 20 anos, que morreu na noite de quarta-feira (15) após ter sido atingido por um tiro de fuzil no abdômen. Segundo a Polícia Militar, Lucas tinha todas as características de um suspeito de roubo e, por isso, foi perseguido por uma viatura policial na noite de terça-feira (14), na Zona Leste de Porto Velho. Mas de acordo com os familiares de Lucas, o rapaz estava fugindo da polícia em sua moto porque não tinha Carteira Nacional de Habilitação (CNH), ele foi perseguido até em casa.
A avó de Lucas conta que ela e o marido estavam dentro de casa e ouviram a perseguição. “Quando ouvimos o barulho todo, saímos correndo para ver o que era. O meu esposo chegou a discutir com os policiais, gritando para eles não entrarem e falando para eles não atirarem. Os PMs empurraram ele e disseram para ficar longe, que ele não sabia de nada”, relata.
“Depois disso eu ouvi o tiro e desmaiei. Estamos todos revoltados com essa situação, era para os policiais nos protegerem e não para tirarem a vida do meu neto”, critica Zenóbia. A mãe de Lucas, Alzenir Rodrigues Claudino, estava saindo em viagem quando soube da notícia. “Só tive tempo de me despedir do meu filho. Eu não me conformo”, lamenta.
A irmã de 14 anos, Irislaine Claudino, não tinha palavras para descrever o choque. “Não tenho o que falar. Perdi uma pessoa que sempre me ajudava e estava do meu lado. É a pior sensação que eu já senti”, revela.
A ex-mulher do rapaz, Jovelina Patrício da Silva, com quem Lucas tem um filho de um ano e três meses, diz que vai ser difícil superar a perda. "Ele era um bom pai, sempre visitava o Mateus, e dava dinheiro. Agora meu pequeno vai crescer sem pai", relata.
Proteção
Membro do Conselho de Segurança Comunitária do Setor 16, Ruslan Magalhães, fala que o conselho foi criado com o propósito de pacificar e prevenir ações desta natureza. “É lastimável que uma ação da polícia tenha resultado nesta morte. O Lucas era um rapaz direito, trabalhador. O diálogo deveria ser o nosso maior aliado, mas da maneira que tudo aconteceu, só percebemos o quão mal treinados os nossos policiais são”, avalia.
Apaixonado por motos
Ícaro Alves de Araújo fala da revolta dos amigos. “Lucas não fazia nada de errado. O único erro que ele cometeu foi dirigir sem carteira e isso ele pagou com a vida. A única coisa que ele tentou foi não perder o seu meio de transporte. Ele era apaixonado por motos, tanto que virou mecânico. Estamos indignados”, desabafa.
Ícaro ressalta que o amigo não portava nenhuma arma. “O Lucas nunca teve uma arma, é mentira isso que os policiais estão dizendo, de que ele teria reagido e atirado neles”, afirma.
Polícia
A perícia criminal foi até a casa do rapaz nesta quinta-feira (16) e o laudo deve ficar pronto em uma semana. “Aqui será um laudo simples, mas já constatamos que a porta está danificada e que tem sangue na entrada da casa”, relata o perito.
O subcomandante da PM, Antonio Carlos Thomazzoni, diz que uma hipótese é que o Lucas tenha reagido e na ação acabou tomando um tiro de fuzil. Mas explica que todos os fatos serão apurados em inquérito
Fonte: Ocombatente