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A democracia e seus caminhos

05/04/2013 às 23h07
Por: João Teixeira
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A democracia e seus caminhos

Ao fazermos uma análise sensata da história recente do país, certamente, teremos muito o que comemorar, principalmente nos campos político e social, aonde avançamos diariamente após a ditadura civil-militar que nos dominou por 21 anos.   


Muitas foram as vias que nos trouxeram até aqui. Uma delas, sem dúvida, um partido com origem no seio da classe trabalhadora, com propostas inovadoras e, por muitos, consideradas revolucionárias, o PT. 


Mas os caminhos que levam ao sucesso são, também, os mesmos que jogam na vala comum do fracasso aqueles que ao longo do percurso demonstram ser outros os motivos de sua jornada, de seus propósitos. A estrada que conduz à História não perdoa os incautos, os inescrupulosos, os que vendem gato por lebre e  nela se apresentam como cordeiros sendo verdadeiros lobos. Um dia, em uma de suas “curvas”, a máscara cai e a verdade aparece. Para esses, um desastre, para a sociedade, um alívio.

 

Como cidadão brasileiro e representante no Congresso Nacional de um setor que contribui de maneira marcante com o nosso PIB, o agronegócio, lamento muito que alguns nomes dessa legenda, que tem bons e sérios nomes, que tanto já somou com o crescimento do país e  sempre teve o nosso apoio quando os interesses nacionais estão em questão, tenham “derrapado” e de maneira vergonhosa nessa estrada.  

 

Veja o  que os alguns membros dos governos do PT fizeram com aquela outrora considerada referência no mundo da exploração e produção de petróleo, a nossa Petrobras, conquista de lutas históricas de nossa sociedade. Hoje, lamentavelmente, uma empresa sucateada pelo aparelhamento partidário, onde observamos diariamente resultados ruins em seu desempenho nas bolsas de valores e, por extensão, em nossa economia.

 

O setor elétrico, outro triste exemplo do “fatiamento ideológico” de setores do PT nos últimos anos, onde prometiam, entre as propostas “revolucionárias”, acabar com os apagões. Tornaram-no quase diários em determinadas regiões do país, causando prejuízos de bilhões, além de não cumprir a promessa de gerar energia suficiente para abastecer nossas indústrias.

 

O mais recente e triste exemplo de dupla personalidade, ou da falta de clareza em seus propósitos por parte de um membro da legenda, foi o encerramento abrupto e arbitrário da CPI para apurar um dos maiores e mais antigos males da humanidade, o trabalho escravo.   Justamente o Partido dos Trabalhadores?!

 

Já viciado pelos quase onze anos no poder, um parlamentar do PT, que deveria mais que ninguém defender o trabalhador, se não para manter-se na linha das promessas de suas teses fundacionais, pelo menos para poder ser ainda chamado de Partido dos Trabalhadores, jamais poderia encerrar uma das mais importantes comissões do Congresso da maneira como o fez, sem permitir sequer a leitura do relatório final, este fruto de longos e democráticos debates entre as partes interessadas no esclarecimento, apuração e banimento de uma vez por todas de nossa sociedade dessa prática abominável, o trabalho escravo.   

 

Na falta de uma explicação para justificar esse ato típico dos modelos que usaram a democracia para chegar ao poder, mas dela se livraram na primeira e tentadora oportunidade, e que lamentavelmente está virando moda na América Latina e com a simpatia dos militantes petistas, o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Trabalho Escravo, deputado Cláudio Puty, do PT do Pará – estado com um dos maiores focos de trabalho escravo no país, veja que contradição -, disse que a presença de representantes do agronegócio naquela comissão poderia comprometer o resultado dos trabalhos.

 

O agronegócio, setor que, com muita determinação e honra, represento no Congresso Nacional, contribui com um quarto do PIB nacional, nos mesmos governos desse deputado. Se verificarmos os números de nossa economia e as razões pelas quais não tivemos um PIB pior ano passado, encontraremos no agronegócio a razão pela qual o atual governo não teve um desempenho mais vergonhoso. Ou seja, o chamado “pibinho” não foi menor ainda graças, também, ao agronegócio. Além disso, somos vítimas das más gestões federais nos últimos anos, quando nosso setor produziu safras recordes e não foi atendido por uma infraestrutura capaz de garantir o escoamento de nossa produção, gerando bilhões em prejuízos, conforme denúncias recentes da grande imprensa.

 

Mesmo assim, e por esta razão, participamos ativamente da CPI do Trabalho Escravo. Além disso, sou o autor do PL 3842/2012, que dispõe sobre o conceito de trabalho análogo ao de escravo, como demonstração de nossa preocupação em definir e banir de vez esta prática abominável de nossa sociedade. Busco, também com esse projeto, a definição desse conceito para, principalmente, evitar o uso distorcido, ideológico e partidarizado de certas fiscais do Ministério do Trabalho, que comprovadamente fazem uso desses meios para perseguir aqueles que julgam não pensar como eles. A exemplo do que fez o deputado Cláudio Puty, ao tentar nos utilizar como pretexto para seus arroubos autoritários. 

 

Nós, do agronegócio, geramos milhares de empregos em nossa cadeia produtiva somos os maiores interessados em trabalhar dentro da legalidade contribuindo verdadeiramente para o desenvolvimento do país. Outro bom exemplo disso, é que fomos nós a realizar de maneira pacífica e produtiva a verdadeira reforma agrária, outrora bandeira do PT e de movimentos sociais que ele apoia.  

 

Como nos acusar de ser contra o Brasil? Por que tentar nos utilizar como pretexto para garantir suas manifestações antidemocráticas? Por que não assumem de vez a intolerância a conviver com o debate construtivo, principal característica das democracias? Por que insistir em vender “gato por lebre”? Cuidado, as curvas da estrada da História não perdoam os imprudentes. Menos ainda os que insistem em seguir na contramão.

 

Rubens Moreira Mendes Filho é deputado federal pelo PSD-RO e foi presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

 

 

Fonte: Assessoria

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