De há muito se diz que Guajará-Mirim é o berço cultural de Rondônia. Isto talvez seja pelo fato de sermos o segundo município a ser criado – depois de Porto Velho – quando ainda éramos terras do Mato Grosso (e Porto Velho, do Amazonas). Segundo a nossa história, em épocas passadas e distantes tínhamos pessoas de elevado saber e alto nível cultura. Isso foi nos distantes anos das décadas de 20, 30, 40, 50... Uma plêiade de grandes homens deram destaque a nossa história. Destaco, particularmente, o nome de Alkindar Brasil de Arouca, de tradicional família, homem culto que exerceu diversas funções em Guajará-Mirim. Foi poeta, jornalista, grande orador e participou da criação entidades como a Associação dos Seringalistas, a Associação Comercial, o Aeroclube e a Associação de Proteção à Criança – APAC.
Nos dias atuais, infelizmente não somos mais tão respeitados e admirados como no passado. Força das circunstâncias e o crescimento natural do Estado de Rondônia, cuja migração se contribuiu para o progresso e desenvolvimento, acabou com nossas raízes e muitas tradições. Por exemplo: os arraiás do mês de junho agora são feitos e m julho e muitos até em agosto. E não se toca mais o forró pé de serra, na base da sanfona, do triângulo e do zabumba. Saudades das músicas de Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Elba Ramalho, Marinês e Sua Gente, Trio Nordestino, Jorge de Altinho... Agora nos arraias se ouve teclados animando as festas e as quadrilhas. Não tem mais fogueiras. Os órgãos de meio ambiente parece que não permitem mais esse tipo de diversão. E cai mais uma de nossas tradições, vindas do Nordeste pelos migrantes, sobretudo pelos Soldados da Borracha. No lugar de quadrilhas juninas, escolas apresentam um tal Dance e músicas da moda que não duram mais que três ou quatro meses e todos esquecem. São músicas de apelo erótico, apelativas, que não trazem nenhuma mensagem como as músicas do passado. E ainda maltratam nosso ouvidos e servem de péssimos exemplos para as crianças e jovens.
Na maior festa popular do Brasil, o Carnaval, aqui e alhures acabaram com a marchinha, com o samba, com o frevo. Abaianaram nosso Carnaval, pois o Axé Music domina nos locais aonde ainda existe baile carnavalesco. Nada como no passado já distante quando tínhamos clubes como o Helênico Libanês, Guajará Clube, Cabos e Soldados, Clube dos Trabalahadores e o mais popular e mais frequentado pela população, o Cruzeiro. Acabaram com tudo. Não tem mais Sanin, Pedro Eleothério, Reis e tantos outros que animavam nossos carnavais sempre bem organizados para palcos de diversão e não de brigas como mais recentemente.
No rádio, os programas de notícias gastam 90% do tempo com comercais e envio de abraços. As notícias, que deveriam ser divulgadas com seriedade e imparcialidade, viraram tom de piada, de deboche, e aí não se sabe mais se o fato é verídico ou é só uma gozação do locutor. Imparcialidade e seriedade ficam só no anúncio. É uma de proteger governantes, políticos, e o pobre do povo que se dane!
Precisamos retomar nosso caminho na vida. Combater os maus hábitos e instruir nossas crianças e jovens na tentativa de um porvir melhor. Comece por sua casa. Deus há de nos ajudar nessa difícil e árdua missão. Afinal, Ele tudo pode. Amém.
Fonte: Guajaranoticias
Autor: Aluizio da Silva
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