
GRITO NA GARGANTA
Nesse nosso país não faltam motivos para levar o povo às ruas em protesto contra a canalhice dos políticos e embromação dos dirigentes públicos, quase sempre procurando esconder na cortina da publicidade oficial, tão mentirosa quanto a publicidade desses produtos que prometem curar tudo.
O Brasil não melhorou seus índices de saúde, educação e renda e piorou os dados relacionados a pobreza e desigualdade de gênero, apurou o estudo Indicador ANEFAC dos países do G-20. Ele recuou novamente para a 15ª posição por não melhorar índices de saúde, educação e renda e piorar em relação a pobreza e desigualdade de gênero.
GASTO PEQUENO
O gasto com saúde em relação ao PIB aumentou de 2011, onde tínhamos 3,5%, passando para 4,2% em 2012. Nos países desenvolvidos o gasto com saúde é praticamente o dobro do brasileiro e, além disto, como a renda per capita dos países desenvolvidos é muito mais expressiva do que a brasileira, o valor gasto com a saúde é significativamente superior ao gasto brasileiro.
Enquanto no Brasil as crianças ficam 14,2 anos na escola, em média, nos países desenvolvidos as crianças ficam na escola ao redor de 16,5 anos. No Brasil, em média, os adultos passaram 7,2 anos na escola, enquanto que nos países desenvolvidos a média está próxima dos 12 anos.
Estes são apenas alguns dados para reforçar a ideia de que os brasileiros estão libertando da garganta o grito de protesto, de reivindicação; um grito revolucionário que pretende modificar a ordem estabelecida que, por uma dessas vergonhas da nossa política, permite que corruptos permaneçam impunes e influenciando as instituições.
MOTIVOS RONDONIENSES
Os rondonienses têm todos os motivos para engrossar a onda de protestos que toma conta das principais cidades do país. Num estado como o nosso, onde os governantes se notabilizam pelos equívocos colossais na formulação de programas e nas ações quase nunca concretizadas, basta abrir a janela ou caminhar pelas vias públicas para sentir como esse pessoal despreza, ignora os anseios da nossa cidadania, explorando inteiramente o povo na certeza de que a população não reage à falta de representatividade daqueles em quem votou.
Mas esse movimento que se alastra pelo Brasil e chega a Rondônia (ainda tímido) está mostrando que o povo reage sim. E ai daquele político surdo ao grito das ruas.
Ontem houve manifestação das vítimas do abandono da rua da Beira (erodida pelo ex-prefeito Ali-Babá) e hoje a manifestação continua, com concentração na praça (???) da Madeira Mamoré, um outro motivo claro de protesto, porque serviu aos saqueadores do dinheiro público para dar sumiço de 19 milhões de reais, a título de reforma daquele local, que continua uma espécie de muquifo no centro da capital rondoniense.
MOTIVOS POLÍTICOS
Um estado que tem na composição de sua representação popular pelo menos dois deputados condenados pela Justiça à cadeia, nominados como ladrões do dinheiro público e corruptos, precisa ir paras as ruas pedir o fim da impunidade.
Rondônia – por seu povo – não é o estado da bandalheira e falta de ética. O povo rondoniense sente vergonha de não poder afastar os corruptos da composição da Assembleia Legislativa.
CARAS DE PAU
Ali eles agem como se nunca tivessem sido pegos com as calças nas mãos em operações do Ministério Público e da Polícia Federal. São políticos do time óleo de peroba que, na maior cara de pau, ocupam a tribuna do legislativo em discursos ocos e votam as matérias como se não tivessem perdido a capacidade de representar o povo decente do estado.
Então, o povo rondoniense tem quase obrigação de ir para as ruas pedir o fim da impunidade, chamando também o eleitorado a avaliar melhor seu papel nas eleições de 2014.
TRANSPORTE
Aí estamos nós de prefeito novo. Mauro Nazif nunca foi o sonho dos rondonienses para entrar na titularidade da gestão pública. Por isso perdeu todas as tentativas feitas nas eleições anteriores. Pela falta de opções melhores, ganhou no ano passado.
Ele está terminando o 6º mês de chefe do executivo da capital rondoniense sem provocar nenhum entusiasmo na população.
Não adianta seu irmão Gilson tentar desqualificar o protesto realizado ontem (19) pelos comerciantes da Rua da Beira. O povo vai às ruas com razão. Protestar contra o dr. Mauro, que ainda não pegou o espírito da coisa em relação a ser prefeito, é uma obrigação cívica.
O transporte é apenas um item sobre o qual Mauro Nazif não fez nada, não se mexeu. Até agora o prefeito segue os passos do governador filósofo rondoniense. Faz muita teoria, muito blábláblá, e não promove nenhuma transformação de verdade para o bem dos rondonienses e o desenvolvimento de nossa terra.
INVESTIMENTOS
Em nível do estado, a popularidade do governador Confúcio Moura tende a cair ainda mais porque as expectativas que criou não se concretizam.
O governo fica prometendo (acreditando no empréstimo de bilhões do BNDES) um período de bonança no tempo que resta de seu mandato, porque sua situação não é nada confortável. Se não fizer as obras necessárias para o estado crescer e gerar novas oportunidades para sua população (principalmente para a juventude saída das faculdades para um mercado de trabalho que não existe) até o primeiro semestre do próximo ano (provando qualidade na gerência dos recursos públicos), pode esquecer a tão desejada reeleição.
SISTÊMICA
O povo rondoniense certamente vai para as ruas porque mantém a impressão de que a corrupção não acabou nas sendas do governo. A ideia que se tem é de que a corrupção em Rondônia é sistêmica. O governo, na verdade, nunca demonstrou interesse em apurar as denúncias formuladas contra sua gestão, inclusive as que teve como núcleo gente de sua família. Com o povo na rua, os esquemas montados para garantir a continuidade de políticos corruptos na vida pública rondoniense vão, graças a Deus, fazendo água.
Fonte: Tudorondonia - Imagem Ilustrativa
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