Hoje em dia é público e notório que o cidadão de menos poder aquisitivo está passando por situações difíceis porque não consegue manter suas contas em dias. Uma boa parcela da população hoje está devendo na praça e muitos já estão na lista negra dos serviços de cartão de crédito, Serasa e cadastros bancários. Estamos criando um novo tipo de excluído social com poucos direitos e vivendo à margem da sociedade e do processo da economia. São aquelas pessoas que diante da precisão de fazer uma prestação de qualquer coisa, se vê obrigado a emprestar a ficha que ainda está limpa de um parente ou de um amigo, que a partir daí, também já está correndo o risco de entrar na relação dos excluídos.
Por outro lado, com o retorno da inflação a todo galope, a alta dos preços em produtos e serviços já começa a corroer o salário do povão. E o que acontece? Começam também a ocorrer atrasos nas prestações de produtos como móveis e eletrodomésticos ou empréstimos pessoais. Mas será que a nossa população é tão irresponsável assim? Por acaso seriam pessoas incapazes de se conter diante do consumo gastando a torto e a direito mais do que ganham?
Mas por incrível que possa parecer, a coisa não é bem assim. O problema é que estamos diante de um sistema de distorção do processo e cujos esquemas tem o aval de paus-mandados que defendem o “stablisment” e são capazes de até a vir a público para afirmar que a coisa funciona assim mesmo e que os bancos na realidade são vítimas de seus clientes.
Até pouco tempo atrás, a maioria desse povão estava atrelado ao mercado de trabalho. Com a instalação da crise, os postos de trabalho foram baixando e com isso vieram as demissões, aqueles que foram para a rua da amargura não acharam novos empregos e aos poucos acabaram por ingressar no chamado mercado informal.
No mercado informal existem profissões nem sempre bem vistas aos olhos da sociedade e um excelente exemplo disso é o tráfico de drogas. Afora esta saída, a maioria dos postos é incerta e precária e desta forma a bufunfa no final do mês nem sempre acaba pintando.
Como ainda não são tidos como excluídos sociais, aqueles que se acham nesta situação se vêem obrigados a apelar para os aportes que estão mais a mão, tais como o cartão de crédito e o cheque especial, até que chega o dia em que a casa acaba caindo.
Dia desses recebi convite para aparecer em uma agência bancária desta cidade para resolver uma situação de déficit com a instituição. Um cheque especial que estourou há 12 anos em um mil e quinhentos reais, com juros e correções atuais, estavam em duzentos e vinte mil. A gerente me perguntou como é que eu pretendia acertar este débito. Achando que era gozação, resolvi entrar na dela e rebati: - Poderia ser em três parcelas, minha senhora? Ela se entusiamou: - Lógico, senhor Fábio Marques, estamos aqui para negociar. Tasquei de novo: - A primeira poderia ser daqui a trinta dias? Aí ela entendeu a piada e arquivou meu processo.
Pra resumir, já está passando da hora dos bancos e empresas de cartão de crédito virem a público oferecer uma contrapartida para seus usuários. Estas instituições estão ganhando demais, e a sociedade como um todo está perdendo muito.
Autor: Fábio Marques
Fonte: Guajaranoticias