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Prédios abandonados criam visual negativo em Guajará-Mirim

08/08/2013 às 21h21
Por: João Teixeira
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O centro comercial de Guajará-Mirim é local de fluxo diário de pessoas. Quem anda pelo centro nos dias de hoje tem o desprazer de se deparar com a fúnebre visão de alguns prédios históricos que em outras épocas já tiveram seus dias de glória e atualmente se encontram em total abandono.

Em décadas passadas o antigo Cine Guarani já foi opção de lazer e entretenimento e agora está totalmente depredado. A estrutura está completamente comprometida, o forro desabou, vândalos levaram o que restava do telhado e madeirame e a área interna do que um dia já foi um cinema esta tomada por um matagal que remonta aos antigos filmes de Tarzan ou dos mais recentes do Indiana Jones. Das entranhas deste edifício estão brotando enormes pés de Imbaúbas, o que pode acelerar mais ainda o processo de desgaste e desmoronamento. O espaço bem que poderia ser utilizado para a construção de um centro de convenções, sala cultural ou alguma coisa voltada para tal mister.

No outro cinema da época glamourosa de Guajará-Mirim, o Cine Melhem, a coisa não é muito diferente. A construção do edifício à época objetivou abrigar uma lotação superior à concorrência e reproduzia os clássicos da Metro Goldwin Meier, Paramount, Columbia Pictures e Século Vinte em cinemascope e eastmacolor através de rolos de gravações eternos como “Os Dez Mandamentos”, “Sansão e Dalila”, “Ben Hur”, “Quo Vadis”, “ Dio Como Ti Amo”, além dos faroestes “Spaguetis” como “Trinity” e “Django”. O Cine Melhem está parado há mais de 20 anos e hoje é o retrato falado do desleixo e desrespeito com a memória e a história da cidade.

O centro comercial já foi bem maior. Muitas lojas fecharam as portas depois da implosão da área de livre comércio. Muitos desses prédios estão em condições precárias e alguns pontos comerciais já desabaram e outros ameaçam desabar. Há alguns anos atrás, a parede lateral de um prédio pertencente à uma família de tradição na cidade acabou ruindo em cima de uma locadora de vídeos causando danos e prejuízos. O outrora grandioso Clube Helênico Libanês hoje se transformou em maconhódromo e à noite a escuridão reinante é prato cheio para que meliantes e noiados cometam suas infrações.

Afora estas construções no centro comercial, também enfeiam a paisagem da cidade e contribuem para o impacto negativo nos turistas que visitam Guajará-Mirim, o prédio da Antiga rodoviária, o Clube dos Trabalhadores, local de festas dançantes e bailes de carnaval no bairro Industrial, as usinas de castanha e de borracha Rondex e Rondobor e a Biblioteca Municipal, que hoje se encontram ao completo abandono.

A Câmara Municipal, através de seus líderes, deveria reclamar à prefeitura no sentido de que o prefeito pudesse promover uma ação coordenada com outras esferas do Poder público com o objetivo de deter a alarmante deterioração destes prédios. Aliás, algumas destas construções já deveriam ter sido tombadas pelo patrimônio cultural da cidade. O processo de degradação pelo qual estas edificações vêm passando, além de deteriorar a qualidade de vida da cidade, descaracteriza o conjunto urbanístico e paisagístico de Guajará-Mirim.

 

 

Autor: Fábio Marques

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