A família do senhor João Ferreira Lopes, conhecido como João Dantas, e de dona Francisca Jacomes Lopes, conhecida como Chiquinha, estão casados há décadas e sempre viveram na imensidão da floresta amazônica.
João Dantas tem 72 anos de idade e nasceu em Manicoré-AM tendo vindo morar em Guajará-Mirim no ano de 1955. Dona Chiquinha tem 73 anos e junto o casal teve 9 filhos, sendo 4 homens e 5 mulheres, tendo já morrido um dos homens.
A família vive no Rio Novo, afluente do Rio Pacaás Novos, na localidade do Noventa, onde chegou no ano de 1980. Antes, João Dantas foi seringueiro tendo trabalhado no Pacaás Novos, no seringal do falecido seringalista Conrado. Também trabalhou no São Luiz, no seringal do também falecido Lucindo e, posteriormente, no Rio Ouro Preto.
João Dantas e família vivem em uma localidade – Noventa, no Rio Novo – que fica distante três dias de canoa movida a motor rabeta, muito utilizado em nossa região. Antes seringueiro e agora extrativista, eles vivem basicamente da caça e pesca, que são utilizadas de forma sustentável, e da plantação de macaxeira, milho e feijão.
Esse velho guerreiro, oriundo do Estado do Amazonas, serviu o Exército Brasileiro no ano de 1959, na gloriosa 6ª Companhia de Fronteira, a famosa 6ª Cia.Fron., hoje 6º Batalhão de Infantaria de Selva (6º BIS). Quando vem à cidade, ficam hospedado em uma vila de madeira localizada na Av. Constituição, em frente à empresa Nova Era. Cumprido os compromissos na cidade e feito o rancho, eles demoram poucos dias para retornarem ao seu local. Às vezes, como agora, a demora se prolonga um pouco devido a burocracia de órgãos governamentais onde vem tratar de assuntos de seus interesses.
Seu João Dantas e dona Chiquinha recebem mensalmente, cada um deles, um Salário Mínimo que é fruto de suas aposentadorias pelo INSS.
Eles não reclamam da vida que levam, apenas lamentam que os governantes não olhem com mais atenção para esse povo que guarda nossas florestas, habita nossas fronteiras e não recebem assistência médica, escolas e outros benefícios que teriam direitos como cidadãos brasileiros. Eles vivem em harmonia com a natureza que hoje tantos agridem e maltratam.
Autor: Aluizio da Silva
Fonte: Guajará Notícias
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