
Com recorde de público presente, encerrou-se no último sábado o 12º Encontro dos Filhos e Amigos de Guajará. O Evento de 2013 reuniu uma vasta cruzada de turistas e foliões que comumente invadem a cidade durante os três dias de festejos. A efervescência do festival contagiou a cidade porque conseguiu catalisar emoções de há muitas épocas perdidas nos instantâneos de momentos que às vezes se eternizam nos conscientes inconscientes das pessoas que participam desta festa sui-generis que ocorre no Estado de Rondônia.
Na maquete da organização do Encontro, além do estofo festivo, constaram também a parte social e cultural. A Associação dos Amigos de Guajará não é só futebol, pagode e cerveja como criticam através de insultos algumas pessoas cuja pobreza conceitual não merece resposta. A Associação questiona e discute a situação da cidade, suas precisões e também apresenta propostas e sugestões. E da percepção dos problemas da cidade ocorrem as boas intenções em proveito de setores que necessitam de amparo atuante e que são maioria das vezes deixados ao “Deus-dará” por quem de fato deveria tomar as rédeas da situação.
Em 2013, como todos sabem, faltaram eventos culturais que sempre houveram em outras épocas. Este ano não aconteceu o festival da Acrivale, o festival dos bois-bumbás, a feira multi-setorial, o festival de praia, o encontro dos pilotos de “Harley-Davidsons” e outros que em sua maioria eram bancados pelo dinheiro público. Independente da injeção de cifras cambiais nativas da coisa pública, a festa dos Amigos de Guajará aconteceu e foi um sucesso. Percebia-se dias antes que a expectativa do público era enorme e chegava transpassar as coversas de bares, chegando a penetrar nas conversas no trabalho até se espalhar pelas esquinas e artérias da cidade.
Outra coisa que também se percebeu: a disputa pelo espaço nos locais que figuram no roteiro do Encontro está ficando a cada festejo mais acirrada. Além de conseguir integrar as pessoas através de lembranças que se transportam para anos atrás, a agitação do Encontro hoje alimenta uma cadeia setorial que abrange hotéis, restaurantes, bares, tabernas, padarias, bandas de música, equipes de sonoplastia, locução e animação, farmácias, serviços de taxis e moto-taxis, salões de beleza, comércio informal ambulante e barracas que participam do evento.
E muito além de agitar as finanças locais, o Encontro ainda turbina o comércio na Bolívia através de compras de produtos de importação, souvenirs, bares, etc…
Numa cidade carente de ideologias e utopias, sonhos e fantasias, embalos e emoções e quase sem perspectivas para o futuro, quando aparece nas fachadas um evento desta grandeza, por incrível que pareça também aparece nos holofotes gente de mente tacanha que enxergam como transgressão ao dia-a-dia da cidade o impacto exposto no contexto.
Mas para aqueles que criticam por criticar este encontro que somente celebra a amizade, a alegria e animação – seja por cálculo, recalque, despeita, inveja ou aversão natural – que procurem fazer um retiro neste período a fim de exorcizar os rancores de suas complexas almas ou que coloquem um pijama e se encerrem em seus cômodos o mais “temprano” possível para não atrapalhar a festança.
Autor: Fábio Marques
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