O site Guajará Notícias ouviu na manhã desta quinta-feira , 02, o Comandante do 6º BPM, Ten. Cel. PM Walter Donizete ISRAEL, e o Delegado Regional de Polícia Civil de Guajará-Mirim, bacharel Milton Santana da Silva.
Ambas as autoridades responsáveis pela área de segurança do município reportaram-se sobre os últimos acontecimentos na cidade que culminou com a prisão do autor da chacina que vitimou 4 pessoas da mesma família e que levou boa parte da população a se revoltar com o fato e realizar manifestações nunca antes vistas em Guajará-Mirim.
Depois de tomar conhecimento de que o assassino Tanus de Souza, de 23 anos, que dizimou à bala 4 pessoas da família, no domingo. Na Delegacia Regional de Polícia Civil, centenas de pessoas se aglomeraram em frente ao prédio da Delegacia na tentativa de linchar o preso. Mas ele não estava lá e sim na Delegacia de Defesa da Mulher, onde foi ouvido.
O clima de revolta que tomou conta da população gerou conflito e a polícia teve que reforçar o policiamento. Manifestantes atiraram tijolos, pedras e paus chegando inclusive a quebrar telhas da cobertura do prédio.
O Comandante do 6º BPM disse que a PM agiu no estrito cumprimento do seu dever constitucional e só recorreu ao uso de balas de borracha, gás lacrimogêneo e spray de pimenta quando parte dos manifestantes tentaram virar uma viatura policial. Segundo o Comandante, dentro da viatura encontravam-se tijolos atirados pelos manifestantes.
Manifestante sendo detido
Ambulância prestando socorro
O Ten. Cel. Israel disse que o Batalhão recebeu o reforço de um Pelotão da COE (Comando de Operações Especiais), que veio de Porto Velho e está junto com a GOE (Grupo de Operações Especiais) de Guajará-Mirim e juntos estão policiando a cidade.
Por seu turno, o Delegado Regional de Polícia Civil, Milton Santana da Silva, referiu-se às ações acentuando que durante três dias seu pessoal intensificou as diligências em busca do autor da chacina, que acabou sendo preso na manhã do dia 1º no Ramal do Pompeu. Ele disse que corriam muitos boatos sobre a situação, mas pessoas próximas da família do suspeito da chacina convenceram o acusado a marcar um local e se entregar à polícia, caso contrário poderia ser linchado pela população se essa o encontrasse primeiro que a polícia. O acusado foi preso depois que o Mandado de Prisão foi expedido pela justiça.
Tanus de Souza foi ouvido na Delegacia de Defesa da Mulher por medida de segurança, pois se fosse ouvido na Regional poderia ser agredido por manifestantes. Segundo o Dr. Milton, depois de ouvido ele foi imediatamente encaminhado a Porto Velho, por medida de segurança. O Delegado Regional disse ainda entender a revolta da população já que o caso chocou a cidade e diante de tamanha atrocidade praticada a pessoa retorna aos tempos da antiguidade quando imperava a lei do olho por olho e dente por dente. Contudo, acentua o Delegado, hoje a civilização vive sob leis e normas que precisam ser respeitadas. Para o Delegado, a polícia é a maior aliada da população, pois quando alguém precisa de socorro chama sempre a polícia.
O Delegado Regional de Polícia Civil aproveitou para agradecer o apoio do Comandante do 6º BPM ressaltando que a presença dos policiais militares na Delegacia Regional foi de fundamental importância para controle da situação que se apresentava no momento. E elogiou o fato do Comandante comandar pessoalmente a sua tropa durante todo o desenrolar dos fatos.
Sobre a atuação de pessoas que tentaram depredar instalações de um estabelecimento comercial no Bairro Santa Luzia, de propriedade do padastro e mãe do acusado, o Delegado disse que pessoas serão investigadas através de câmeras de segurança instaladas nas dependências do comércio. Contudo, segundo o Delegado, isso ocorrerá por conta de um outro inquérito.
Mais
No exato momento em que nossa reportagem chegava ao Quartel do 6º BPM para entrevistar o seu Comandante, o advogado Antônio Bento do Nascimento também chegava ao local para conversar com o Comando da corporação e solicitar medidas de segurança, pois populares ameaçavam invadir seu posto de combustível alegando que ele era o advogado do acusado. Antônio Bento reafirmou que não defende o réu em questão e que até chegou a ser procurado por membros da famílias do acusado para tal, mas não aceitou pegar a causa.
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