
Porto Velho, Rondônia – Mesmo sabendo que terá dificuldades para registrar sua candidatura nas próximas eleições, por ter sido cassado por compra de votos, quando era senador, Expedito Junior (PSDB), parece não temer que se repita a mesma situação de 2010, quando ele concorreu sub judice e enfrentou sérias dificuldades.
Naquelas eleições, Expedito largou na frente nas pesquisas, mas em razão da dúvida que o eleitorado enfrentava, sem saber se ele seria mesmo candidato de fato e de direito, acabou ficando de fora do segundo turno.
E com o endurecimento da lei da ficha limpa, a situação dele para as eleições deste ano, segundo juristas respeitados, não parece ser diferente da de 2010.
Mesmo assim, ele aposta alto e já tem antecipado as eleições, colocando o bloco na rua, dando entrevistas, fazendo reuniões e encontros políticos Rondônia afora.
No fundo, entretanto, de acordo com alguns de seus mais próximos correligionários, ele não tem a certeza e a garantia de que está mesmo livre para lançar-se candidato e, por isso, faz o jogo do gato, dando o bote e escondendo a unha, para não sofrer desgaste e evitar algum dissabor, como acontecera no passado.
Os tribunais, no entanto, não estão dando moleza aos candidatos que teimarem em registrar a candidatura. Teve a ficha suja, "a caneta come" e roça.
Legislação: Regras da ficha suja
Pela regra atual, ficam inelegíveis por oito anos aqueles que tiverem contas rejeitadas por Tribunal de Contas, que são órgãos auxiliares do Poder Legislativo. Além disso, a Lei da Ficha Limpa também torna inelegível o candidato condenado por órgão colegiado da Justiça pela prática de crimes como abuso de autoridade, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, formação de quadrilha, crimes contra a economia popular, etc.
Fim da vigilância armada:
Na semana passada, o pré-candidato do PSDB disse durante entrevista a uma emissora de rádio da capital que lamenta o fim do contrato que garantia a vigilância armada nas escolas.
Defendendo seu próprio interesse foi enfático, já que a empresa de vigilância seria de sua família: “Deram um tiro no pé.
Deveria ter as duas coisas: a vigilância armada e a eletrônica. Tem diretor dormindo nas escolas e outras sendo furtadas diversas vezes. A Polícia Militar não tem como ficar abrindo e fechando escolas. Foi uma atitude lamentável”, destacou.
Quando perguntado se a empresa que mantinha o contrato de R$ 57 milhões com o Governo, para fazer a vigilância nas escolas era dele ou de sua empresa, ele confirmou: “Era de meu irmão, Irineu Gonçalves da Silva, era da família”.
Por outro lado, enquanto estava com o gordo contrato em mãos, Expedito jurava fidelidade ao projeto de reeleição de Confúcio Moura (PMDB). Depois, passou a dizer que o atual governador “não manda nada no Governo”.
Esvaziamento do PSDB
Uma manobra de Expedito gerou mal estar dentro do ninho tucano. Isso porque ele retirou lideranças do PSDB e as levou para o PROS. Inclusive o seu filho, Expedito Neto, está no novo partido, onde é o vice-presidente estadual.
Com isso, o PSDB teve sua nominata para estadual enfraquecida e para ocupar uma cadeira na Assembleia, a legenda terá que somar algo em torno de 38 mil a 40 mil votos.
Como deverá sair sozinho, sem coligações, os deputados estaduais Euclides Maciel e Jean Oliveira correm o risco de obterem uma votação expressiva e os dois ficarem de fora.
Esse é mais um capítulo confuso na trajetória de Expedito, que se alia, mas não dá certo e rompe. Ele já foi aliado de Valdir Raupp, de José Bianco, de Ivo Cassol e de Confúcio Moura. Hoje, é adversário de todos eles e de Cassol tornou-se inimigo figadal.
Nesse cenário, o senador Ivo Cassol (PP) e o ex-senador cassado Expedito Junior (PSDB), antes aliados e agora inimigos, simbolizam bem o que a ficha suja representa para a carreira deles: o ostracismo. Cassol foi condenado há 4 anos e 8 meses de prisão, em regime semiaberto e pode ser defenestrado do Senado.
“Sou um político de profissão”:
Embora tenha atividades empresariais, o ex-professor Expedito Junior faz questão de dizer que a sua profissão hoje é político. “Minha profissão é político e faço política desde criança, já fui professor, mas hoje faço política e muito bem!”, declarou.
Enquanto a maioria da população a cada dia toma mais raiva e desprezo pela classe política, Expedito vai na contramão e reforça que é um político carreirista. Ou seja, vive da política.
Autor: Rondonoticias
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