O município de Guajará-Mirim já enfrentou cheias históricas em seus 85 anos (a completar no próximo dia 10) de vida. As mais lembradas – e a história diz isto – são as de 1959, 1982, 1997 e a de 2008. Essa agora de 2014 supera todas demais em termos de volume d’água e consequências danosas à população, segundo um morador antigo da cidade, de nome José Alves Marques, o Zé Marques, do bairro do Tamandaré, um amazonense de Humaitá-AM e que aqui chegou ainda jovem e tem hoje mais de 70 anos vividos nesta faixa de fronteira com a Bolívia.
Depois de enfrentar dificuldades e superá-las de forma eficiente ou não, os últimos prefeitos da cidade nunca tiveram tanta dor de cabeça com tem acontecido com o atual Dúlcio da Silva Mendes, do PT. Mas Dúlcio é um homem iluminado. Depois de tentar várias vezes chegar ao Palácio Pérola do Mamoré por meio do voto popular, conseguiu seu intento na eleição de 2012, quando representou o candidato da mudança e da renovação da esperança do povo guajaramirense. E assumiu com uma prefeitura cheia de problemas de toda ordem, quebrada financeiramente, e tendo que equacionar e procurar resolver imediatamente todos esses problemas, sob pena de inviabilizar seu governo.
Oficial da Reserva Remunerada do Exército Brasileiro, gaúcho de nascimento e guajramirense de coração, pois adotou esta cidade desde quando aqui chegou na década de 70, contraiu matrimônio com uma filha de Guajará-Mirim e constituiu família neste pedaço de Brasil. Dentista e com a vida economicamente definida, não precisaria da política para sobreviver. Mas o amor por Guajará falou mais alto e ele conseguiu a confiança da população que lhe outorgou o seu primeiro mandato de prefeito da segunda mais antiga cidade de Rondônia, conhecida como berço cultural e uma das mais lindas da região norte, daí o cognome de Pérola do Mamoré ou Cidade Pérola.
Não bastasse todos os problemas de ordem administrativa enfrentados no primeiro ano de mandato (2013), o segundo (2014) inicia com a catástrofe da cheia do Mamoré e seus afluentes somando-se a histórica cheia do Rio Madeira que culminou com a interdição do tráfego na BR-364, gerando mais problemas para Guajará-Mirim e limitando mais ainda as ações do prefeito Dúlcio.
Como se não bastasse o quadro dantesco hoje vivido pelo município, os governantes das esferas superiores parece que se mantém indiferentes à situação de nossa gente. Demora-se muito para chegar ajuda. A burocracia que impera no País emperra e dificulta ações do Governo Municipal. E o povo mais humilde – que é quem mais sofre com a situação – começa a ficar impaciente e muitas vezes são instigados por políticos que não têm compromisso com nossa terra. Tivéssemos políticos compromissados com nossa gente, como tivemos no passado um Salomão Silva, um Quintino, um Abrahão Azulay, um Isaac Bennesby, um Paulo Saldanha, um Rigomero Agra, um Chiquinho Nogueira, que continua vivo e morando em Fortaleza-CE, graças a Deus, quero acreditar que o quadro seria totalmente diferente, ainda que difícil também, lógico.
Diante, pois, desse quadro desolador, não devemos, ainda assim, perder a esperança. 2014 é ano de Copa do Mundo. Mas também é ano de eleição. Que tal começar a preparar o futuro a partir de agora, pensando em novos políticos para o município? Não existe e nunca existirá consenso para a eleição de determinado nome para a Assembleia Legislativa do Estado, para a Câmara Federal, para o Senado, para o Governo do Estado ou para a Presidência da República. Cabe a cada um de nós, guajaramirenses, analisar friamente cada nome apresentado diante de nós para que possamos definir nosso voto. Ao fim e ao cabo, precisamos de representantes políticos aqui da própria terrinha, na Assembleia, em Porto Velho, e no Congresso Nacional, em Brasília. Sonhar é uma coisa que ninguém consegue roubar do ser humano.
Autor: ALUZIO DA SILVA
Administrador, Jornalista e Radialista.
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