
Guajará-Mirim tem história!! Berço Cultural do Estado de Rondônia!!! Importantíssimo alavancador da economia do estado. Gerou muito emprego e renda na atividade agrícola que deu impulso no desenvolvimento do território e depois estado de Rondonia. Lamentavelmente fomos engolidos pelo desenvolvimento dos municípios criados ao longo do eixo da BR 364 e com a criação de reservas no nosso município (algo em torno de 94%). Sem terras para produzir ficamos dependentes dos salários dos funcionários lotados no município pelo estado união e dos servidores municipais, e ainda do (na época) promissor comercio que abastecia os departamentos de BENI e PANDO bem como parte de alguns outros estados bolivianos, isso até o fim da década de 80, quando o governo boliviano investiu em abertura de estradas por todo o território boliviano ligando os importantes centros ao locais mais isolados da Bolívia. Veio então o que pode-se chamar de "período negro" em Guajará-Mirim. Um lapso temporal que literalmente "quebrou", "acabou" com o comércio da cidade, e consequentemente com os comerciantes pioneiros e aos mais abastados, que sentiram a perda de tudo que haviam conquistado. Nada mais valia. O que se tinha derrocava á frente dos olhos daqueles que tanto lutaram para formar um patrimônio que, vertiginosamente perdia valor. Era o fim de uma era de desenvolvimento e conquistas. Daí pra frente era tentar manter a alto custo o patrimônio adquirido ou vender a custo muito abaixo do valor para manter algum padrão de vida decente, condizente com suas realidades sociais. Muitos filhos dos antes abastados comerciantes guajaramirenses tiveram que regressar das importantes capitais e cidades grandes onde estavam estudando pra ajudar a família, pois até as demissões de empregados antigos foram necessárias. O desemprego assolou a cidade. Os jovens não tinham perspectivas, pois nem mais os balcões do comercio absorvia suas mão-de-obra quase sempre muito barata. Escolas só até nível médio e quem tinha concluído era considerado "letrado". Entre o inicio e meios da década de 90 veio o advento da "Área de Livre Comercio" que "aqueceu" um pouco a economia da cidade, e era visto como um movimento que "salvaria" o município da derrocada econômica que o assolou, mais foi passageiro. Embora os benefícios (existentes até hoje) sejam muitos, só quem se beneficiou foram grandes empresários de outros municípios e estados, pois os investimentos pára se montar lojas de importados, a logística para comprar e a falta de capital para muitos comerciantes locais, que na maioria vinham daquele interstício econômico que fragilizou suas economias, patrimônio e capital , os impedia de completar o ciclo compra-vendas-estoque de maneiras que o giro financeiro pudesse dar estabilidade ao comercio. De lá pra cá muitas outras medidas para sanear a economia do município, com leis, decretos e promessas foram criadas e divulgadas (Entreposto de Mercadorias, ICMS Ambiental, Lojas Francas e etc...etc...) todas sem efeito positivo. Muitas coisas boas aconteceram por aqui, como a vinda do Campus da UNIR, instalação de grandes empresas que absorveram parte da mão de obra ociosa da cidade, a construção das Usinas no Rio Madeira que ate hoje emprega moradores de Guajará-Mirim e até a construção de uma Escola Técnica Federal, que tenho certeza funcionará em breve e formará muitos técnicos que trabalharão aplicando seu conhecimentos para o crescimento sócio-econômico-cultural do município. Mas falta muito para se atingir o desejável para esse município que tanto contribuiu para o crescimento e desenvolvimento regional com o derramamento de suor de seu pioneiros, trabalhadores que muito lutaram para fazer crescer esse estado e hoje é sempre esquecido pelas nossas autoridades e representantes. A população de Guajará-Mirim deve cobrar dos governantes mais atenção para a cidade. Chega de viver passivamente como se estivesse "tudo bem". Vamos exigir que sejam feitos aqui investimentos à altura da nossas necessidades, e não de acordo com o que "sobra" de emendas e projetos políticos-governamentais. Precisamos de obras de saneamento, esgoto (inclusive de águas pluviais que inundam partes da cidade no período chuvoso), asfalto, escolas estaduais em alguns bairros mais longínquos, apoio aos pequenos agricultores, ribeirinhos e indigenas e, enfim, quase tudo está por fazer. Na verdade precisamos de uma "força-tarefa" para reconstruir Guajará-Mirim. Vamos dar as mãos e resgatar nosso valor. Já não podemos mais ficar á margem do desenvolvimento, senão viveremos eternamente do saudosismo lembrando e augurando ter pelo menos o que tínhamos !!!
* Consul Valsiro Pedro De Lima :
Administrador de Empresas formado pela UNIR
Pós-Graduação em Administração Pública pela UNIR
Ex-Chefe de Transito em Guajará-Mirim
Ex-Consul do Brasil na Bolivia
Empresário
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