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GUAJARÁ-MIRIM: O MACHISMO E A INTOLERÂNCIA PARLAMENTAR...

20/12/2014 às 11h33
Por: João Teixeira
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GUAJARÁ-MIRIM: O MACHISMO E A INTOLERÂNCIA PARLAMENTAR...

A Câmara de Vereadores de Guajará-Mirim encerrará o ano de 2014 com um episódio, no mínimo, asqueroso, protagonizado pelo vereador Roberto Oro Win, acusado de  ter espancado sua companheira. Esse tipo de ato não pode ser cometido por nenhum homem, mas quando se trata de uma autoridade causa muito mais asco, principalmente porque ele dificilmente terá alguma punição.

Como o citado vereador é membro importante da mesa diretora, a Casa terá sua imagem manchada por este triste episódio, além do que fica muito evidente a falta de preparo do vereador, que foi eleito prometendo defender a população. Um indivíduo que não sabe proteger uma mulher não pode falar em nome de uma população. Isso é o básico do básico, mas tenho quase  certeza que será um caso esquecido pela Câmara.

Não creio que seja interessante abordar o caso no âmbito criminal, porque os elementos ainda são insuficientes para tal coisa. E são insuficientes porque a própria mulher espancada pode mudar sua versão nos próximos dias, como acontece muitas vezes. Caso ela faça isto, o que é muito provável, as autoridades ficariam sem ter provas do fato e a situação jurídica do vereador estaria resolvida. Claro que isto é só uma hipótese, porque não sabemos da conduta moral da suposta vítima. Em nosso país existe uma teoria de que mulher de vagabundo gosta de apanhar e isso se confirma quando a pessoa apanha e continua dizendo que ama o vagabundo. Mas não deve ser o caso. Com certeza o vereador agressor não é vagabundo e a mulher espancada covardemente deve ser uma pessoa muito honrada. Esperemos...

No campo político, a coisa é bem diferente porque o fato é registrado em todos os veículos de imprensa da cidade, inclusive com número de boletim policial. E tem uma coisa interessante nesse episódio: o vereador Roberto Oro Win não é o único covarde da história. A Câmara de Guajará – Mirim até hoje não publicou nenhuma nota sobre o fato. Isso é covardia! O partido Socialista Brasileiro – PSB não publicou nenhuma nota sobre o fato. Isso é covardia. Os demais vereadores do PSB de Guajará-Mirim não publicaram  nenhuma nota. Isso é covardia. É como se todos eles concordassem com a atitude covarde de uma autoridade eleita com a obrigação de defender as pessoas.

No caso do vereador Roberto Oro Win, houve uma clara quebra de decoro, mas não sei se a turma com mandato na Casa sabe o que é decoro. Pelo menos um dos  vereadores já declarou em um relatório feito pela Câmara que não sabe. Complicado, Dilcinei!! Quando uma pessoa age de maneira que não seja exemplar, ela quebra o decoro. Quando um vereador, deputado ou senador age de maneira que não seja exemplar, ele quebra o decoro parlamentar. Para citar um caso prático de quebra de decoro, esse vereador já perseguiu um servidor da Casa, já xingou palavrões na tribuna da Casa e isto tudo fere o decoro. Nunca foi punido!

Como bater em mulheres é uma conduta abominável, pode-se dizer que o vereador quebrou o decoro e deveria ser punido por isso. Agora uma pergunta: ao ficar caladinha vendo tudo isso, a Câmara age com uma conduta exemplar? Claro que não! Isto também é quebra de decoro. Ou então temos que registrar em outro relatório que os outros 10 membros do parlamento não sabem o que é decoro. Se eles assinarem, estarão perdoados pela falta de informação, porque não ter escolaridade é coisa comum para milhões de brasileiros. Se não assinarem, quebram o decoro, pela omissão e conivência. Simples!

Tenho certeza que, ao ler este texto, diversos homens dirão que a mulher mereceu mesmo, o que seria um fato triste. Outros dirão que tem muita gente que quebra o decoro e não é punido. Igualmente triste! Nivelar por baixo levará nosso país cada vez mais para a lama do machismo, da corrupção e da impunidade. Foi nivelando por cima que outras nações atingiram níveis invejáveis de qualidade. Se a Câmara de Guajará tivesse se manifestado sobre o ato, poderíamos citar apenas o homem Roberto Oro Win. Como a Casa de Leis se calou, se omitiu, podemos dizer que praticou o mesmo crime. Se a mulher espancada morresse, seria então um linchamento parlamentar.

Outra coisa que precisa ser dita é que mulher nunca foi o sexo frágil. Frágil é a conduta moral de quem bate em mulheres ou agride com palavras, porque um ser tão doce e meigo não pode ser tratado dessa forma. Bem que as mulheres poderiam ser apenas de homens polidos, assim não haveria atos covardes como este. Os trogloditas deveriam ser todos assexuados...

Finalmente, ficamos à espera de uma posição do PSB, da Câmara de Vereadores e dos vereadores do partido. Caso estas manifestações não ocorram, o vereador Roberto Oro Win entrará para os anais da Câmara de Guajará-Mirim como mais um caso escandaloso de impunidade... Tenho dito!

 

FRANCISCO XAVIER GOMES

Professor da Rede Estadual e Articulista

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