Guajará-Mirim vem acumulado, pelo menos nas duas últimas décadas, inúmeros problemas que dificultam a vida de todos os seus moradores. Trata-se de questões que fazem parte do cotidiano de qualquer prefeitura resolvê-los. Alguns problemas são da lida diária de qualquer secretária municipal de obra e serviços básico. Porém, um destes problemas é tão constante – e tudo leva a crer que insolúvel aqui na ‘Pérola’ do Mamoré – que passou a fazer parte, indissociável, da paisagem urbana da cidade.
Nos dias de hoje, é inimaginável andar pela cidade, seja a pé, de carro, de moto ou de bicicleta, sem se deparar com um deles em seu caminho. Ou melhor, com dezenas, com centenas e, pra ser mais exato, com milhares deles: o buraco! Acho que o buraco é a décima primeira praga do Egito que caiu aqui em Guajará. Só pode!
Se Carlos Drummond de Andrade tivesse conhecido Guajará-Mirim, não tenho dúvidas que um dos seus mais célebres poemas – No Meio do Caminho – seria assim: “No meio do caminho tinha um buraco/Tinha um buraco no meio do caminho/Tinha um buraco/No meio do caminho tinha um buraco” (…).
Hoje, no início da manhã, presenciei uma cena trágica, mas que se tornou corriqueira na cidade. Acontece a todos os momentos e, em especial, nas vias públicas que vão se distanciando do antigo centro comercial. Quanto mais longe da sede do executivo municipal e da região central, mais caótica e perigosa ficam as vias da cidade. O fato aconteceu na av. Marechal Deodoro, sub esquina com 10 de abril, bairro Serraria, próximo ao Maylla Park Hotel.
Olhos visivelmente marejados em lágrimas, com dores no punho, arranhões em uma das mãos, enlameada, indignada, porém com voz pausada e mansa, a vítima deu a seguinte declaração: “Dirigir em Guajará está horrível. Não há ruas em condições mínimas para se dirigir; só tem a XV de Novembro. Não é possível esperar nada deste governo. Eles não estão fazendo nada mesmo”.
É possível reverter o atual quadro de abandono deplorável no qual Guajará-Mirim se encontra. É necessário que cada um nós façamos a nossa parte. E uma delas é jamais perder a capacidade de se indignar. Entrar com uma ação contra a Prefeitura é outra atitude também possível. Talvez um caminho árduo e cansativo, porém necessário para enquadrar a autoridade e o ente público a cumprirem com o mínimo de seus papeis e funções para o quais foram eleitos pelo povo ou nomeados para tal.
Autor: Ariel Argobe
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