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Sarney com fonte na PF

Cedido pelo Palácio do Planalto ao senador José Sarney (PMDB-AP) na cota de funcionários de ex-presi

29/07/2009 às 23h04
Por: João Teixeira
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Cedido pelo Palácio do Planalto ao senador José Sarney (PMDB-AP) na cota de funcionários de ex-presidentes, o agente de Polícia Federal Aluizio Guimarães Filho passava informações privilegiadas da PF ao grupo comandado pelo empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado. Conversas gravadas na Operação Boi Barrica (1) mostram que o policial utilizou seus contatos na polícia para repassar os detalhes de uma diligência solicitada à Superintendência de São Paulo em julho do ano passado. Homem de confiança da família Sarney, Aluizio ocupa hoje o cargo de chefe da Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do governo de Roseana Sarney, no Maranhão.

O inquérito da PF que resultou no indiciamento de Fernando Sarney e de integrantes do seu grupo mostra que, em pleno sábado, Aluizio teria colocado um policial dentro da superintendência para receber informações em tempo real. Cada detalhe era imediatamente repassado a Fernando, que tinha o telefone monitorado pela polícia. A diligência citada no relatório era o acompanhamento do investigado Marco Antônio Bogea na capital paulista. Preposto do grupo, Bogea deslocou-se de Brasília em 19 de julho daquele ano portando uma mala “em atitude bastante suspeita”. Assim que foi abordado por policiais federais na portaria de um prédio, já em São Paulo, Bogea acionou e mobilizou o grupo em questão de minutos.

“Entocado”

Fernando telefonou para Aluizio e perguntou o que estaria acontecendo. Eram 9h55. Aluizio informou logo que os policiais que abordaram Bogea não tinham mandado de prisão. Fernando disse que o seu comandado estava “entocado” no prédio, mas que poderia sair num carro. O policial aliado procurou tranquilizar o empresário: “A gente vai se falando. Eu não comento nada com seu pai (José Sarney), fique tranquilo”. Minutos depois, Aluizio informou que os policias paulistas estavam de campana num carro preto estacionado na porta do prédio. E acrescentou que já havia passado o número da placa do carro para um amigo verificar se era mesmo do Departamento de Polícia Federal.

Após 20 minutos, em nova ligação, Aluizio informa: “Já bateu, já confirmou, é nosso o carro mesmo”. Quando falava em “nosso”, ele se referia à PF. Somente às 13h05 o policial infiltrado conseguiu uma informação mais precisa sobre o que estava ocorrendo: “É uma solicitação da Diretoria-Geral de Investigação de Crime Financeiro”. “Então, isso, Aluizinho(2), é comigo mesmo, né?”, perguntou Fernando. Aluizio disse que achava que não e informou que essa diretoria investigava “qualquer fato relacionado a dinheiro”. Fernando teve certeza de que era com ele mesmo: “A investigação em cima de mim é conduzida por esse pessoal”. Mas o policial informou o número do inquérito e reafirmou: “Não tem nada a ver com aquele assunto”.

Propinas

Marco Bogea, também conhecido como Marquinhos, teve o seu telefone celular monitorado na Operação Boi Barrica. Pessoa de confiança de Fernando Sarney, atuava como motorista do empresário em Brasília. Segundo a Polícia Federal, tinha inclusive a atribuição de fazer pagamentos “em dinheiro” para várias pessoas. O relatório do inquérito da PF diz que Marquinhos “seria um membro de menor importância na organização criminosa, com a função de realizar pagamentos de propina para a equipe de Fernando Sarney”.

O Correio entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão e tentou uma entrevista com Aluizio Guimarães. A assessoria de imprensa confirmou apenas que o policial atuava no Serviço de Inteligência da secretaria, mas não forneceu o seu número de telefone. A assessoria do presidente do Senado informou que Aluizio atuou como “ajudante de ordens” do senador Sarney, cedido pela Presidência da República na cota de servidores do ex-presidente. Segundo a assessoria, Sarney não se manifestaria sobre o grampo da Polícia Federal.

1 - INVESTIGAÇÃO

A Operação Boi Barrica foi deflagrada em fevereiro de 2007, a partir de comunicação da Coaf sobre movimentação atípica nas contas de Fernando Sarney e de sua mulher, Teresa Cristina. De forma anônima, o empresário Eduardo Carvalho Lago teria depositado R$ 2 milhões na conta da Gráfica Escolar, pessoa jurídica que pertence ao grupo Mirante, de propriedade do casal. O dinheiro acabou na conta pessoal de Fernando e Teresa, que efetuaram o saque em espécie. A investigação levou a polícia a concluir que Fernando comandava uma organização criminosa no Maranhão.

2 - AJUDA

Aluizio Guimarães aparece nas conversas em que Fernando Sarney pede ao pai para ajudar na nomeação do namorado da filha Maria Beatriz, Henrique Dias Bernardes. Na conversa, Fernando chama o policial de “Aluizinho”, exatamente como ocorre na conversa em julho do ano passado. O namorado da neta do presidente do Senado está entre os servidores que foram contratados por ato secreto.




Correio Braziliense
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