

Nem mesmo o ‘Pacote de Bondades’ anunciado pelo governador Confúcio Moura [PMDB] e José Hermínio Coelho [PSD e ex-PT] incluiu a questão da prostituição de brasileiras e bolivianas nos dois lados da fronteira. O combate a este de crime, na região, há décadas se tornou ‘meio de vida para rufiões e cafetinas’.
No quesito cidadania – defesa de direitos civis – Governo e Assembléia não demonstraram, nessa primeira edição da Sessão Itinerante na Calha do Rio Mamoré, ‘sensibilidade ao problema que levou a Organização das Nações Unidas e a UNICEF a deflagrarem campanha pesada de combate ao tráfico de pessoas para exploração sexual’.
Nos dois lados da fronteira, não é difícil se encontrar mulheres batendo bunda nos calçadões das praças de alimentação entre os dois países’, denuncia uma ex-Conselheira Tutelar do bairro Esmeralda, em Guajará-Mirim, que não quis revelar a identidade temendo represálias.
TROTOIAR – O vai-e-vem de brasileiras que atravessam sem problemas para o lado boliviano – parte dos grupos é composto de adolescentes – ‘é tremendo’. O maior volume ocorre nos finais de semana é quando bolivianos de todas as classes se encontram nos bares, restaurantes e points de casas noturnas.
Do outro lado, segundo a ex-Conselheira anônima, ‘a Fiscalização da Guarda Nacional é deficitária’. E os militares apenas guarnecem postos de gasolina, agências bancárias, parte da área portuária, da Base Aérea, estações de beneficiamento de gás, petróleo e o parque energético [energia] – para eles, pontos estratégicos.
Ainda na banda de lá, a mesma fonte aponta, ‘o governo da Província de Guayaramerín, nos dá a impressão de que a presença de brasileiras, maiores ou não, interessam se estão amparadas ou não por cidadãos bolivianos ou familiares com dupla cidadania’. Segundo ela, ‘os deputados e o governador perderam uma baita oportunidade de trazer o assunto à baila’.
ONDE – As brasileiras mais jovens têm a preferência dos endinheirados bolivianos, sejam eles de boa índole ou não. O que interessa é o dinheiro, os carrões e motocars [espécie de motocicletas sob três rodas usadas no transporte de pessoas e turistas] que fazem o translado das visitantes e turistas do porto das lanchas até ao centro da cidade boliviana.
COMO CHEGAR – Os próprios motoqueiros indicam onde as brasileiras ‘trabalham’ nas casas noturnas. Mas o movimento também ocorre de dia. Nesse período, ‘é comum se encontrar brasileiras ainda adolescentes em casas cujos pontos ficam ao fundo do imóvel’, revela El Chico Peto, 31 anos, morador da área portuária.
Do porto, as brasileiras se dirigem à praça central ao largo da avenida que da acesso a restaurantes, bares e lojas explorados por brasileiros e bolivianos. Não há diferença na oferta dos serviços de ‘cama e mesa’, ele indica. A maioria é desejadas por nossos patrícios, muito deles ansiosos por um casamento no Brasil.
PREÇO – De dia ou nas noites de Guayaramerín, os bares, lanchonetes, restaurantes e casas de shows estão repletos de brasileiras. Parte delas é por profissão mesmo, insiste Peto. Ele diz ainda, que, ‘há pobreza em ambas as cidades’. Dos dois lados o dinheiro é curto, e isso, em sua opinião, ‘força brasileiras e bolivianas a buscarem venderem o próprio corpo em nome da sobrevivência de si e de suas famílias.’ O preço é sempre pelo combinado, arrematou.
Fonte: Xico Nery/NewsRondonia
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