É preciso saber quem inspirou a missa que vem sendo oficiada pelo presidente da Assembleia Legislativa de Rondônia, José Hermínio Coelho (PSD), ao assinar um decreto legislativo sustando processos que tramitam na justiça contra deputados, apanhados pela operação Termópilas da Polícia Federal.
Chega a ser patético a preocupação do presidente da ALE, em salvar a pele de colegas de parlamento, quando deveria, na verdade, aproveitar a onda de moralização que varre o país e fazer uma assepsia no poder que presidente, posto esse que ganhou de mão beijada, sem nenhum esforço.
Infelizmente, o corporativismo que alimenta muitas posições contrárias à cassação de parlamentares denunciados pelo Ministério Público de Rondônia encontra a mais vigorosa resposta em pessoas que não conseguem afastar a hipótese de estarem a serviço de causa pouco interessante à sociedade.
O Brasil não é mais o mesmo. Há um sopro popular que exige mudança de mentalidade na condução dos negócios públicos. Fraudes, bandalheiras, canalhices e coisas do gênero, não passam em branco como antes. Hoje, qualquer denúncia relativa a esse tipo de conduta provoca reação imediata.
Lamentavelmente, em Porto Velho, o povo se revolta, mas a maioria de nossas entidades representativas permanece calada. O escandaloso pagamento de 14º e 15º salários aos deputados, que a assessoria do presidente tentou desmentir, tem proporções bem maiores do que se possa imaginar. Hoje, sabe-se que o jornalista Carlos Henrique estava coberto de razão, quando colocou o dedo na ferida.
Mais uma vez, o costume de brincar com coisa séria e de aproveitar qualquer oportunidade para favorecimentos que não encontram ressonância no coração social, prejudica a já desgastada imagem da ALE.
O Poder Legislativo está com suas entranhas expostas. O presidente Coelho falhou no compromisso de moralizar a casa. Com isso, perdeu a oportunidade de tornar-se grande, angariar o respeito de seus concidadãos e deixar seu nome nos anais da história, como o presidente que conseguiu passar a limpo a ALE.
Enquanto aos membros dos Ministérios Públicos Federal e Estadual, da Controladoria-Geral da União, do Tribunal de Contas de Rondônia e da Polícia Federal têm sido deferida a atenção e justificadas esperanças da sociedade, percebe-se o crescente descrédito perante a opinião pública, de políticos que, investidos de um mandato popular, fingem esquecer sua condição de representantes do povo e passam a enveredar pelo tortuoso caminho do corporativismo, do nepotismo, do clientelismo, do favoritismo e de tantos outros ismos condenáveis.
Fonte: Valdemir Caldas
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