No momento não existe segurança alguma no uso desse tipo de transporte pela população de Porto Velho, uma vez que qualquer pessoa, incluindo as de má índole, pode se intitular como mototaxista, bastando para isso ter uma moto e usar uma camisa na cor laranja, azul, verde ou amarela, se aproveitando, assim, para estuprar, roubar, assaltar ou atuar no tráfico de drogas. Há dois casos de estupro registrados recentemente, tendo como suspeitos supostos mototaxistas.
O alerta é do major da PM, David Moroni, ao se referir ao trabalho dos mototaxistas, cuja profissão está autorizada na capital, mas falta a regulamentação para definir as regras de como esses profissionais devem atuar, incluindo o número de placas a serem concedidas pelo Município, a padronização das motos e dos profissionais. "Dessa forma, só poderá atuar quem estiver autorizado, dando mais segurança à população", observou.
Com a regulamentação, para ter direito à placa, a Secretaria Municipal de Trânsito (Semtran) exigirá, entre outros pontos, a certidão criminal negativa e que a moto esteja em nome da pessoa que está se candidatando. "Esses são dois pré-requisitos básicos", declarou a secretária da Semtran, Fernanda Moreira. Não será permitido também que uma única pessoa controle o serviço de várias motos, formando uma empresa para a alocação de placas.
Fernanda reconhece que mesmo com todas as regras e exigências em relação à ficha criminal desses futuros profissionais, não há como garantir 100% de segurança no uso desse serviço. Segundo ela, desde o início a questão da segurança tanto no que tange aos acidentes de trânsito quanto à idoneidade de quem pilota as motos, foi o principal motivo de preocupação por parte da Prefeitura.
Usar o serviço das cooperativas garante a segurança do usuário
Para garantir a segurança dos usuários, o presidente da Coopmototáxi, Antônio Teixeira, disse que o ideal é que o cliente utilize as cooperativas, solicitando o serviço através do telefone, mesmo que ele (cliente) esteja na rua e tenha esses profissionais à sua disposição. "Quando o serviço é solicitado, nós anotamos o nome, a placa do profissional que o fez, o atendimento e o local de destino. Isto é uma forma de garantir a tranquilidade do usuário", frisou. Ele pede ainda que o cliente anote a placa da moto que o transportou, para saber a quem pertence no caso de acontecer algum problema.
De acordo com Antônio Teixeira, ao usar o telefone para solicitar o mototaxista de uma cooperativa, a pessoa tem a garantia de que está utilizando o trabalho de um profissional cadastrado, que tem referência. " Isto já não acontece quando ela(pessoa) pega na rua", disse. Segundo o presidente, até agora não foi registrado nenhum caso de mototaxista registrado em cooperativa que tenha se envolvido com a criminalidade.
Ele reconhece, porém, que atualmente não há controle nessa área, fazendo com que qualquer um, incluindo marginais, possa colocar uma camisa nas cores usadas pela categoria e se intitular mototaxista. " Isto só vai acabar quando a profissão for regulamentada", destacou.
Seguro
Antônio Teixeira disse ainda que as cooperativas garantem atendimento em clínica particular em caso de acidentes e um seguro caso o cliente venha a morrer por conta do acidente. Neste caso(morte), a pessoa terá direito a dois seguros: o DPVAT , no valor de R$ 13.500, e outro pago pela cooperativa, orçado em R$ 14 mil. Para garantir os custos, é arrecadado diariamente de cada mototaxista cadastrado o valor de R$ 5,00 .
A disputa por uma placa será acirrada
São cerca de três mil mototaxistas atuando na cidade, incluindo os clandestinos e os cadastrados nas sete cooperativas em funcionamento e na única associação de classe existente. Por enquanto, todos trabalham em aparente harmonia, mas a briga mesmo entre eles começará quando a lei for regulamentada- isto porque, o número de placas a ser concedida pela Prefeitura deve ficar entre 500 a 700. A categoria negocia com a Câmara para que o número de concessões suba para mil placas. Mesmo assim, não será suficiente sequer para atender os que estão cadastrados atualmente nas cooperativas e na associação.
"A briga será feia, pois ninguém aceitará perder o espaço", declarou o mototaxista Carlos Andre dos Santos. Até a próxima semana, o grupo de técnicos da Prefeitura deve encerrar o estudo sobre a viabilidade de se regularizar a profissão, concluindo o trabalho com a elaboração da minuta do projeto que deverá ser enviado à Câmara pelo prefeito Roberto Sobrinho. Os mototaxistas, como já mostraram algumas vezes, prometem fazer barulho no dia da votação na Câmara. " Somos uma categoria forte e os vereadores não podem esquecer que no próximo ano tem eleição", declarou Carlos André.
Alguns mototaxistas acreditam que mesmo com a regulamentação, muitos ainda continuarão a oferecer o serviço de forma clandestina. "A quantidade de placas não atenderá nem mesmo quem já trabalha profissionalmente, por isso, duvido que essas pessoas aceitarão ficar de fora de forma pacífica", enfatizou Carlos Antônio.
Estadão do Norte
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