
A dor de uma família que perdeu um filho de maneira inesperada transformou-se em um clamor que ultrapassou as fronteiras de Guajará-Mirim, em Rondônia, e chegou ao Ceará. Familiares e amigos de Herbert Douglas Oliveira da Silva, de 23 anos, conhecido carinhosamente como “Chico”, continuam recorrendo aos veículos de comunicação para pedir que a morte do jovem não seja esquecida e que a investigação avance até o completo esclarecimento dos fatos.
Herbert, natural de Guajará-Mirim, morreu na madrugada de 6 de setembro de 2026, após ser agredido durante a realização da ExpoIguatu, no Parque de Exposições Enéas Bandeira Filho, em Iguatu, no Ceará. Registros audiovisuais feitos durante o episódio passaram a circular nas redes sociais e foram considerados elementos relevantes na apuração. As imagens mostram o jovem sendo agredido e imobilizado enquanto estava no chão, além da participação de pessoas que atuavam na segurança do evento, segundo reportagens publicadas sobre o caso.
O que era para ser uma noite de confraternização terminou em uma tragédia que deixou uma família inteira mergulhada no luto. Herbert chegou a ser socorrido e encaminhado para atendimento médico, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos.
A dimensão da violência também passou a ser analisada sob o aspecto técnico. Conforme informações divulgadas sobre o laudo da Perícia Forense, Herbert apresentou hemorragia encefálica traumática, traumatismo crânio-facial e sinais de asfixia decorrente de compressão na região do pescoço, além de lesão na região entre a base do crânio e a primeira vértebra cervical. A perícia apontou, portanto, um quadro de múltiplas lesões traumáticas associado à asfixia.
Esses elementos periciais passaram a integrar o conjunto de informações analisadas pelas autoridades responsáveis pela investigação.
Logo após o episódio, três homens foram presos em flagrante sob suspeita de envolvimento na morte. Na audiência de custódia realizada em 7 de setembro, a Justiça do Ceará manteve a prisão preventiva de Elionay David Santana e concedeu liberdade provisória, mediante medidas cautelares, a Francisco Werbson Cardoso dos Santos e Eliaquim David de Souza.
Segundo as informações divulgadas sobre a decisão judicial, as medidas adotadas consideraram, entre outros elementos, as imagens que foram anexadas ao procedimento. Em relação aos dois investigados que receberam liberdade provisória, a decisão registrou que, naquele momento da investigação, não havia indícios considerados suficientes de participação ativa deles na fase executória fatal, permanecendo, contudo, medidas cautelares determinadas judicialmente.
A investigação permanece sob responsabilidade das autoridades policiais competentes, cabendo ao Ministério Público, dentro de suas atribuições legais, acompanhar a apuração e adotar as providências que entender juridicamente cabíveis.
Após o sepultamento de Herbert no Cemitério Santa Cruz, em Guajará-Mirim, os pais, familiares e amigos iniciaram uma verdadeira peregrinação pelos meios de comunicação em busca de espaço para contar a história do jovem e manifestar o desejo de que o caso seja devidamente esclarecido.
A mãe, Josefa Felipe, o pai, João Guinho, e o irmão, Vitor, têm participado de entrevistas e levado às emissoras de rádio e televisão uma mensagem simples, porém carregada de dor: eles querem justiça e respostas.
Em Porto Velho, a família também esteve na Rondônia FM 93,3, onde participou de entrevista no programa apresentado pelo jornalista e radialista Rando Silva, também natural de Guajará-Mirim. O caso igualmente foi levado à programação da REMATV, ampliando a repercussão da morte do jovem rondoniense.

Para os familiares, cada entrevista representa uma tentativa de manter viva a memória de Herbert e, principalmente, de pedir que a investigação considere todos os elementos disponíveis, incluindo imagens, depoimentos, laudos periciais e demais provas que possam contribuir para o esclarecimento integral do episódio.

O caso também vem sendo acompanhado pelo Guajará Notícias, que desde os primeiros acontecimentos tem dado espaço à família e levado ao conhecimento da população o desenvolvimento das informações relacionadas à investigação.
A imprensa, entretanto, não substitui as instituições responsáveis pela investigação, acusação e julgamento. O papel jornalístico é informar, dar voz às partes e acompanhar os fatos de interesse público, respeitando o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência.
É justamente por isso que o clamor da família não deve ser interpretado como um pedido de condenação antecipada de qualquer investigado, mas como um pedido para que todos os fatos sejam rigorosamente apurados e que eventuais responsabilidades sejam individualizadas conforme as provas produzidas no curso da investigação e do processo judicial.
A família também espera que sejam esclarecidas as circunstâncias relacionadas à atuação das pessoas envolvidas na segurança do evento, especialmente diante das imagens que circulam publicamente e que, conforme noticiado, também foram consideradas na análise do caso.
Herbert tinha apenas 23 anos. Era natural de Guajará-Mirim, havia servido como sargento do Exército Brasileiro e, segundo informações divulgadas pela imprensa, estava vivendo em Iguatu e se preparava para prestar concurso para a Polícia Militar do Ceará. Uma trajetória que, aos olhos da família, ainda estava apenas começando.
Hoje, no lugar dos projetos, ficaram fotografias, lembranças e uma ausência que nenhuma palavra consegue preencher.
A mãe perdeu um filho. O pai perdeu um filho. O irmão perdeu um irmão. Amigos perderam um amigo. E uma comunidade inteira passou a acompanhar, à distância, os desdobramentos de uma investigação que ainda precisa avançar.
O pedido da família é que Herbert Douglas não seja reduzido a mais um número em uma estatística de violência.
Que as imagens sejam analisadas.
Que os laudos sejam considerados.
Que as testemunhas sejam ouvidas.
Que as circunstâncias sejam esclarecidas.
Que cada conduta seja individualizada.
E que, ao final, a Justiça decida conforme as provas e dentro dos limites da lei.
Não se trata de pedir condenação antecipada. Trata-se de pedir investigação, esclarecimento e responsabilidade, se comprovada.
É esse o clamor que hoje ecoa de Guajará-Mirim ao Ceará: que a morte de Herbert Douglas não seja esquecida e que a verdade dos fatos seja alcançada pelos caminhos da Justiça.
Advogada Dra. Márcia Teixeira
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