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BANCA DA NALI: TRADIÇÃO QUE ATRAVESSA GERAÇÕES GANHA NOVO ENDEREÇO AO LADO DO MERCADO PÚBLICO DE GUAJARÁ-MIRIM

Símbolo dos tempos áureos da Pérola do Mamoré, estabelecimento que marcou madrugadas, encontros de amigos e gerações de famílias continua preservando os sabores e as lembranças de uma época inesquecível da cidade.

27/10/2026 às 20h55 Atualizada em 27/10/2026 às 21h11
Por: João Teixeira Fonte: Fonte: Redação/Guajará Noticias
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Divulgação
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Guajará-Mirim, a eterna Pérola do Mamoré, é uma cidade que guarda em sua história personagens, lugares e tradições que resistem ao passar dos anos. Entre essas lembranças está a saudosa Banca da Nali, um estabelecimento que se tornou referência na gastronomia popular e fez parte da vida de milhares de guajaramirenses, especialmente daqueles que viveram os movimentados anos de 1980, quando o antigo Mercado Público Municipal era um dos principais pontos de encontro da população.

           

Naquela época, Guajará-Mirim vivia noites e madrugadas marcadas por festas, encontros de amigos e muita alegria. Quando as festividades terminavam, havia um destino praticamente obrigatório para quem desejava prolongar a conversa, reencontrar conhecidos ou simplesmente saborear uma boa comida: o antigo Mercado Público Municipal.

Era ali, nas proximidades da antiga feira e do inesquecível churrasco popular do saudoso Solteiro, que funcionava a Banca da Nali, comandada por dona Maria Nali Costa, carinhosamente conhecida como dona Nali.

Mais do que um estabelecimento comercial, aquela pequena banca se transformou em um verdadeiro ponto de encontro de gerações. Entre mesas, bancos, conversas animadas e o movimento das madrugadas, nasceram amizades, aconteceram reencontros e foram construídas lembranças que permanecem vivas na memória de muitos moradores.

Quem viveu aqueles tempos certamente se recorda dos tradicionais mingaus de milho, tapioca, banana e outros sabores, preparados com aquele toque caseiro que conquistava os frequentadores. Também não faltavam os famosos pastéis de carne, frango, queijo e misto, além do cuscuz acompanhado de leite e outras delícias.

O café com leite e o tradicional cafezinho, cujo aroma parecia anunciar de longe que a banca estava funcionando, completavam o cardápio. E, para aqueles que haviam exagerado um pouco nas bebidas alcoólicas durante as festas, havia o conhecido caldo de mocotó, bastante procurado nas primeiras horas da manhã.

Eram tempos diferentes. Não existia a facilidade das redes sociais para combinar encontros. Muitas vezes, bastava chegar ao mercado para encontrar amigos, parentes e conhecidos. A Banca da Nali era um daqueles lugares onde as pessoas se reuniam espontaneamente, compartilhando histórias, sorrisos e acontecimentos da cidade.

Uma tradição que quase ficou apenas na saudade

Com as transformações urbanas e a construção de um novo Mercado Público Municipal, o antigo espaço foi desativado, provocando mudanças na rotina dos comerciantes e frequentadores.

Dona Nali acompanhou essas transformações e, depois de décadas dedicadas ao atendimento da população, decidiu interromper suas atividades em 2012. Para muitos clientes, parecia o encerramento de uma tradição que havia marcado profundamente a história da cidade.

Entretanto, o destino reservava um novo capítulo para essa história.

Em 2014, ano em que Guajará-Mirim enfrentou uma das grandes enchentes de sua história, Alexandre Camelo, filho de dona Nali, decidiu que o legado construído pela mãe não poderia desaparecer.

Com determinação e respeito pela trajetória familiar, Alexandre retomou as atividades no mesmo box do Mercado Público, procurando preservar a qualidade dos produtos, o atendimento e, principalmente, a identidade que havia transformado a Banca da Nali em uma referência.

                   

Era uma maneira de manter viva não apenas uma atividade comercial, mas também a memória de sua mãe e de uma época que deixou saudades.

Mercado Público fechado e uma história de resistência

Outro momento difícil aconteceu em 2018, quando o Mercado Público Municipal foi desativado para passar por uma ampla reforma. O fechamento ocorreu, segundo o relato histórico dos comerciantes, faltando aproximadamente dez dias para o tradicional Encontro dos Filhos e Amigos de Guajará-Mirim.

O que deveria representar uma melhoria para o comércio e para a população acabou se transformando em um longo período de espera.

Passados aproximadamente oito anos, o prédio permanece com as obras paralisadas, apresentando sinais de deterioração, sem que haja, até esta terça-feira, 27 de outubro de 2026, uma data de conclusão informada à reportagem.

Para os antigos frequentadores, a situação representa mais do que a perda temporária de um espaço comercial. Significa também o afastamento de um local que fez parte da identidade cultural e social de Guajará-Mirim.

Apesar das dificuldades, Alexandre Camelo não desistiu. Transferiu a Banca da Nali para um ponto comercial na esquina das avenidas Pimenta Bueno e Dr. Lewerger, onde continuou atendendo a população e preservando os sabores tradicionais que fizeram a fama do estabelecimento.

Novo endereço, mas a mesma tradição de sempre

Nesta terça-feira, 27 de outubro de 2026, a história da Banca da Nali ganha mais um capítulo especial.

Após vários anos funcionando na esquina das avenidas Pimenta Bueno e Dr. Lewerger, Alexandre Camelo transferiu o estabelecimento para um novo endereço, na Avenida Dr. Lewerger, ao lado do Mercado Público Municipal, justamente em frente ao local onde a tradicional banca funcionava antes do fechamento do prédio para reforma.

A mudança representa muito mais do que a instalação em outro ponto comercial. É, simbolicamente, um retorno às origens, uma aproximação com o lugar onde tantas histórias foram vividas e onde dona Nali construiu uma trajetória de trabalho, dedicação e amizade com a população.

O estabelecimento continua oferecendo os produtos tradicionais, mantendo o padrão de qualidade que atravessou décadas e conquistou diferentes gerações.

Horários de funcionamento da Banca da Nali:

  • Segunda a sexta-feira: a partir das 4h da manhã.

  • Sábados e domingos: a partir das 3h da manhã.

A saudade dos tempos áureos da Pérola do Mamoré

Falar da Banca da Nali é também recordar uma Guajará-Mirim que permanece viva no coração de seus antigos moradores.

É lembrar das madrugadas movimentadas, das festas que terminavam com os amigos reunidos ao redor de uma mesa, dos casais que se encontravam depois dos bailes, dos trabalhadores que iniciavam suas jornadas ainda antes do nascer do sol e das famílias que fizeram daquele mercado uma extensão de suas próprias casas.

Muita coisa mudou. Alguns daqueles frequentadores já partiram, outros deixaram a cidade em busca de novas oportunidades, e muitos continuam por aqui, carregando na memória os bons momentos vividos.

O tempo transformou ruas, prédios e costumes. Mas existem tradições que não desaparecem, porque sua verdadeira importância não está apenas nas paredes de um estabelecimento, e sim nas pessoas que ajudaram a construir sua história.

A Banca da Nali é uma dessas tradições. Um patrimônio afetivo da população guajaramirense, preservado pelo esforço de uma família que compreendeu o valor de suas raízes.

Ao assumir a responsabilidade de dar continuidade ao trabalho de sua mãe, Alexandre Camelo demonstra que empreender também pode ser um gesto de amor, gratidão e respeito à história familiar.

Hoje, quando o cheiro do café fresco e dos alimentos preparados na Banca da Nali volta a se espalhar pelas proximidades do Mercado Público, é como se uma pequena parte daquela Guajará-Mirim dos anos dourados insistisse em permanecer presente.

Porque os tempos passam, as gerações mudam, mas as boas lembranças continuam encontrando um lugar especial no coração de quem viveu aquela época.

Reconhecimento e votos de sucesso

O Guajará Notícias, por meio do jornalista e radialista João Teixeira, registra seu reconhecimento à trajetória de dona Maria Nali Costa, uma mulher pioneira que, com trabalho, simplicidade e dedicação, ajudou a escrever um capítulo especial da história comercial e gastronômica de Guajará-Mirim.

Ao seu filho, Alexandre Camelo, ficam os votos de sucesso nesta nova etapa, com o reconhecimento pela perseverança em manter viva uma tradição tão querida pela população.

Que a Banca da Nali continue sendo um lugar de encontros, amizades e boas recordações, recebendo tanto aqueles que conheceram os tempos áureos do antigo mercado quanto as novas gerações que agora têm a oportunidade de conhecer essa história.

Porque preservar a Banca da Nali é também preservar um pedacinho da alma da nossa querida Pérola do Mamoré.

Guajará Notícias — Jornalismo com compromisso com a história e a memória de Guajará-Mirim.

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